Aquecimento catastrófico do planeta está à nossa porta

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aquecimento global planetaTerceiro relatório do IPCC diz que só uma aposta “massiva” nas energias renováveis pode evitar que a temperatura suba 4,8ºC até ao final do século.

O mundo ainda vai a tempo de cumprir o objectivo de limitar o aquecimento global, mas os atrasos e incumprimentos da última década tornam imperativa uma “mudança maciça” a favor das energias renováveis, adianta o terceiro relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC). Se nada for feito, até ao final do século a temperatura na Terra vai subir entre 3,7 e 4,8 graus centígrados.

“A mensagem da ciência é clara: para se evitarem interferências perigosas no sistema climático temos de mudar de abordagem”, afirmou Ottmar Edenhofer, co-presidente do grupo que redigiu o relatório sobre formas de mitigar o aquecimento global, última parte de uma série de análises pedidas ao IPCC e que servirão de base às difíceis negociações internacionais para um novo acordo de redução das emissões de gases com efeito de estufa (GEE).

A última avaliação aconteceu em 2007 e, já depois disso, os governos comprometeram-se a limitar as emissões de forma a que a temperatura na Terra não subisse mais do que dois graus centígrados por comparação à media da era pré-industrial – os cálculos actuais mostram que desde então os termómetros já subiram 0,8ºC.

Mas nem o aumento dos fenómenos extremos (secas, cheias, furacões) nem a ameaça da subida do nível das águas foi suficiente para transformar as promessas em acção. Segundo o IPCC, entre 2000 e 2010, as emissões de GEE aumentaram 2,2%, com os Estados Unidos (a maior economia mundial) e a China (o país em maior expansão) a liderarem a lista de poluidores.

“Sem uma redução das emissões até 2030, será mais difícil não ultrapassar os 2ºC e as opções serão mais reduzidas”, alerta o relatório, fruto da colaboração de mais de mil cientistas de todo o mundo, e do qual foi neste domingo divulgado um “Sumário para os Decisores”.

Para evitar uma catastrófica subida nas temperaturas, será necessário que até à metade deste século, as emissões de GEE baixem entre 40 a 70%, mantendo a descida progressiva até 2100. O que implica, dizem, triplicar ou mesmo quadruplicar o investimento nas energias de “baixo carbono” – definição em que se integram as renováveis, o nuclear e os combustíveis fósseis associados a tecnologia de captura e armazenamento de CO2, o principal gás com efeito de estufa.

“Não digo que seja uma mudança sem custos, ou que haja almoços grátis nas políticas climáticas, mas este é um almoço pelo qual vale a pena pagar”, afirmou Edenhofer, sublinhando que o mundo “tem uma janela de oportunidade de uma década, no máximo duas” para evitar um cenário catastrófico. Nos cálculos do IPCC, a aposta em energias mais limpas não põe em causa os padrões de vida conseguidas nas últimas décadas e terá um custo anual estimado de apenas 0,06% da riqueza produzida no globo.

(Fonte: Público)




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Daniel Rocha

Daniel Rocha

Nasceu na Guarda, mas foi em Famalicão da Serra que cresceu e conheceu o mundo dos bombeiros integrando o corpo activo. É Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Portugueses, e possui um Curso de Especialização em Ensino de Português como Língua Estrangeira e Língua Segunda (PLELS), ambos na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC). Para além da vida de professor, dedica-se a muitas outras actividades, entre as quais o teatro e a escrita, tendo publicado com alguma regularidade desde 2011. A sua ligação e gosto pelo mundo da imprensa levaram-no a ser colaborador da Rádio Altitude (Guarda) e do jornal Notícias de Gouveia (Gouveia).