A linha da frente da resposta aos fogos!

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José Augusto Dias, subchefe dos Bombeiros de Miranda do Corvo, morreu no sábado à noite, cercado pelo fogo e pelo fumo na Lousã, a combater um incêndio às portas de Castanheira de Pera. No coração da tragédia de 2017, onde a paisagem continua a gritar o risco e não se esquece o medo. Ano após ano assistimos ao horror dos fogos, à vulnerabilidade de tantos homens e mulheres que combatem este flagelo da natureza, sim, mas também do mau ordenamento, de ações dolosas, da negligência, das dificuldades próprias das ocorrências ou da desarticulação operacional.

Tinha 55 anos, 39 de experiência, testemunharam os colegas. Era um dos da “linha da frente”, essa zona da resposta às ameaças da nossa vida coletiva que a pandemia que dominou os últimos meses fez recordar que é onde se ganham e perdem guerras, onde planeamento e meios contam, onde a experiência, coragem e resiliência são determinantes, mas também onde a imprevisibilidade se concretiza e o pior, infelizmente, pode mesmo acontecer. E onde desaguam as decisões de cima, das chefias intermédias, de quem coordena.

O MAI ordenou um inquérito, uma celeridade no esforço para apurar o que aconteceu que não existiu noutras alturas e é, por isso, de saudar, mas já vieram a público relatos de que estes homens terão entrado no combate ao fogo numa guarnição de quatro pessoas e que pediram socorro durante 20 minutos. As condições terão mudado e tornaram-se mais adversas, mas como é que quatro pessoas enfrentam uma secção de um fogo? As respostas chegarão no seu tempo, mas o país não pode facilitar ano após ano no que são conclusões quase sempre a apontar para o mesmo:

além da desordenação crónica da floresta nacional, falhas na prevenção e vigilância para alertas precoces, no ataque inicial, no comando. IPMA e Proteção Civil têm alertado para as condições propícias a fogos, com dias quentes, ventosos e instabilidade atmosférica, que podem transformar uma faúlha num pesadelo. É a realidade, sabemos que o país é vulnerável e que os problemas não estão resolvidos. A entrega e o trabalho destes homens têm de ser compensados, não apenas com o reconhecimento da sua generosidade, mas com organização, profissionalização e a devida compensação pelo que sacrificam para proteger o país.

Fonte: Jornal I – Editorial – Marta F. Reis

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Paulo Reis

Paulo Reis

É natural e residente em Esmoriz, a sua vida profissional está ligada à indústria automóvel nestes últimos 25 anos como CAD Designer. É um dos fundadores da Rádio Voz de Esmoriz, onde apresentou o programa de rádio “Bombeiros em Missão”. Está ligado desde tenra idade aos Bombeiros de Esmoriz onde fez parte da orquestra do Grupo Cénico e hoje, ocupa o posto de Subchefe. Foi responsável pelo Grupo de Comunicação & Imagem dos BV Esmoriz e integrou a equipa do portal bombeirosdeportugal.com. É o responsável do Departamento de Relações Públicas do portal Bombeiros.pt