A brincar com o fogo

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O relatório encomendado pelo Governo sobre o combate ao incêndio que destruiu 24 mil hectares na serra do Caldeirão – assinado pelo professor Xavier Viegas, da Universidade de Coimbra – aponta algumas causas para o falhanço: falta de bombeiros e de autotanques, diversas avarias em meios aéreos que impediam as descolagens em momentos cruciais, falhas no comando e erros na previsão da evolução das chamas.

Xavier Viegas, especialista em aerodinâmica, é um dos mais reputados investigadores dos segredos dos incêndios florestais. É uma autoridade na matéria.

Mas o seu relatório independente cai que nem ginjas nos planos que uma corrente no Governo alimenta para a Autoridade Nacional de Protecção Civil – subtraí-la à tutela do Ministério da Administração Interna e pô-la sob a dependência do Ministério da Defesa Nacional. A mudança é mais ideológica do que técnica. É uma cisma de generais ociosos. Apetece–lhes brincar com o fogo. Não é preciso tanto para pôr a tropa a ajudar os bombeiros.

FONTE: CM/Manuel Catarino, Subdirector

About author

Sérgio Cipriano

Sérgio Cipriano

Natural de Gouveia e licenciado em Comunicação Multimédia pelo Instituto Politécnico da Guarda. Ingressou nos bombeiros com apenas 13 anos de idade e hoje ocupa o cargo de sub-chefe. É um dos fundadores da Associação Amigos BombeirosDistritoGuarda.com e diretor de informação do portal www.bombeiros.pt, orgão reconhecido pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social.

  • Para quem não sabe

    O Ministério da Administração Interna
    tem como funções:

    – Manter a ordem e a tranquilidade
    públicas;

    – Assegurar a proteção da liberdade e da
    segurança das pessoas e dos seus bens;

    – Prevenir e reprimir a criminalidade;

    – Controlar a circulação de pessoas nas
    fronteiras, a entrada, permanência e residência, saída e afastamento de
    estrangeiros do território nacional, no quadro da política de gestão da
    imigração, e apreciar e decidir a concessão do estatuto de igualdade e de
    refugiado;

    – Controlar as atividades de importação,
    fabrico, comercialização, licenciamento, detenção e uso de armas, munições e
    explosivos, sem prejuízo das atribuições próprias do Ministério da Defesa
    Nacional;

    – Regular, fiscalizar e controlar a
    atividade privada de segurança;

    – Organizar, executar e apoiar
    tecnicamente o recenseamento e os processos eleitorais e referendários;

    – Prevenir catástrofes e acidentes
    graves e prestar proteção e socorro às populações sinistradas;

    – Promover a segurança rodoviária e
    assegurar o controlo do tráfego.

    Enquanto que o Ministério da Defesa
    Nacional tem como funções:

    – Reorganizar e racionalizar o
    Ministério e a estrutura superior das Forças Armadas, apostando na coordenação
    e na exploração das sinergias;

    – Racionalizar a despesa militar,
    através da articulação entre os ramos e de maior eficiência na utilização de
    recursos, nomeadamente, concretizar a reforma do sistema de saúde militar;

    – Reforçar a coordenação com as
    estruturas do Ministério da Administração Interna nos domínios em que exista
    complementaridade e possibilidade de economias de escala;

    – Proceder à revisão da Lei de
    Programação Militar, adaptando-a à atual situação económica e financeira;

    – Aprofundar a participação em missões
    internacionais.

    As questões que se têm que levantar são:

    – A mudança proporcionaria melhor qualidade
    do socorro? (Que investimentos seriam feitos?)

    – A mudança proporcionaria melhores
    equipamentos? (Podemos tentar responder comparando as entidades da qual
    dependem)

    – Com a mudança, como ficaria organizado
    o socorro? É possível perante as funções globais que os ministérios apresentam?

    – Como se operacionalizam as coisas pois
    se pensarem também criar uma estrutura baseado numa carreira militar, que segurança
    transmitiria o general ou mesmo o coronel com os seus pressupostos filosóficos aos
    bombeiros soldados? (Filosofia ou Instruções técnicas?)

    – Que equidades terão as estruturas voluntarias
    dos Corpos de Bombeiros perante as estruturas militares? E os já profissionais?
    Faria sentido neste aspeto ser colocado uma base salarial igual aos militares?
    Que custo traria este processo? Quem beneficiaria?

    – Que estudos foram feitos para que esta
    situação pudesse ser questionada? Será que isso se resumiu apenas a um
    relatório empírico? (Onde está a componente técnica e científica?)

    – Que formação têm as pessoas que
    sugeriram tal facto? Serão elas verdadeiras especialistas com formação superior
    especializada e experiência na área de Protecção Civil e Bombeiros ou serão
    apenas alguns militares a precisarem de se destacar, ou mesmo simples militares
    na reserva que acabaram por ficar sem nada para fazer?

    – Para concluir repito novamente as
    palavras do Manuel Catarino mas será que
    é preciso tanto para pôr a tropa a ajudar
    os bombeiros?

  • Para quem não sabe
    O Ministério da Administração Interna
    tem como funções:
    – Manter a ordem e a tranquilidade
    públicas;
    – Assegurar a proteção da liberdade e da
    segurança das pessoas e dos seus bens;
    – Prevenir e reprimir a criminalidade;
    – Controlar a circulação de pessoas nas
    fronteiras, a entrada, permanência e residência, saída e afastamento de
    estrangeiros do território nacional, no quadro da política de gestão da
    imigração, e apreciar e decidir a concessão do estatuto de igualdade e de
    refugiado;
    – Controlar as atividades de importação,
    fabrico, comercialização, licenciamento, detenção e uso de armas, munições e
    explosivos, sem prejuízo das atribuições próprias do Ministério da Defesa
    Nacional;
    – Regular, fiscalizar e controlar a
    atividade privada de segurança;
    – Organizar, executar e apoiar
    tecnicamente o recenseamento e os processos eleitorais e referendários;
    – Prevenir catástrofes e acidentes
    graves e prestar proteção e socorro às populações sinistradas;
    – Promover a segurança rodoviária e
    assegurar o controlo do tráfego.
    Enquanto que o Ministério da Defesa
    Nacional tem como funções:
    – Reorganizar e racionalizar o
    Ministério e a estrutura superior das Forças Armadas, apostando na coordenação
    e na exploração das sinergias;
    – Racionalizar a despesa militar,
    através da articulação entre os ramos e de maior eficiência na utilização de
    recursos, nomeadamente, concretizar a reforma do sistema de saúde militar;
    – Reforçar a coordenação com as
    estruturas do Ministério da Administração Interna nos domínios em que exista
    complementaridade e possibilidade de economias de escala;
    – Proceder à revisão da Lei de
    Programação Militar, adaptando-a à atual situação económica e financeira;
    – Aprofundar a participação em missões
    internacionais.
    As questões que se têm que levantar são:
    – A mudança proporcionaria melhor qualidade
    do socorro? (Que investimentos seriam feitos?)
    – A mudança proporcionaria melhores
    equipamentos? (Podemos tentar responder comparando as entidades da qual
    dependem)
    – Com a mudança, como ficaria organizado
    o socorro? É possível perante as funções globais que os ministérios apresentam?
    – Como se operacionalizam as coisas pois
    se pensarem também criar uma estrutura baseado numa carreira militar, que segurança
    transmitiria o general ou mesmo o coronel com os seus pressupostos filosóficos aos
    bombeiros soldados? (Filosofia ou Instruções técnicas?)
    – Que equidades terão as estruturas voluntarias
    dos Corpos de Bombeiros perante as estruturas militares? E os já profissionais?
    Faria sentido neste aspeto ser colocado uma base salarial igual aos militares?
    Que custo traria este processo? Quem beneficiaria?
    – Que estudos foram feitos para que esta
    situação pudesse ser questionada? Será que isso se resumiu apenas a um
    relatório empírico? (Onde está a componente técnica e científica?)
    – Que formação têm as pessoas que
    sugeriram tal facto? Serão elas verdadeiras especialistas com formação superior
    especializada e experiência na área de Protecção Civil e Bombeiros ou serão
    apenas alguns militares a precisarem de se destacar, ou mesmo simples militares
    na reserva que acabaram por ficar sem nada para fazer?
    – Para concluir repito novamente as
    palavras do Manuel Catarino mas será que
    é preciso tanto para pôr a tropa a ajudar
    os bombeiros?