Sobreviventes/Nepal: “Naturalmente poderá haver outra excecionalidade”

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ng4200629Ouvido pela TSF, José Manuel Moura, perito internacional do mecanismo de Proteção Civil, diz que a combinação de equipas cada vez mais especializadas com fatores como a “resistência humana” o levam a “acreditar” que é possível continuar a encontrar sobreviventes, mesmo mais de uma semana após o sismo.

“As buscas estão muito orientadas na capital, na zona de Katmandu, mas há um conjunto de outras pequenas localidades, onde só se consegue chegar a pé, que ainda não foram ‘checadas’, e, porventura, poderão ser surpreendidos com mais sobreviventes”, acrescenta o chefe do Comando de Operações Nacional de Socorro da Proteção Civil.

José Manuel Moura sublinha, por isso, que profissionais e voluntários não podem desmoralizar, mesmo quando a esperança de encontrar sobreviventes começa a desaparecer, mas salienta: “Os primeiros momentos são determinantes, a probabilidade de encontrar sobreviventes é muito maior”.

E, com os sobreviventes encontrados, em particular nas primeiras 72 horas, vem uma dose extra de motivação para os profissionais no terreno, mas também mais alguns braços para ajudar nas operações: “Os primeiros que se salvam são os primeiros a salvar, a ajudar nas buscas”.

Contudo, à medida que o tempo passa, o resgate de sobreviventes torna-se cada vez mais difícil: “A excecionalidade é garantida se a pessoa se conseguir hidratar”, o que normalmente acontece “quando há um edifício que colapsa na sua totalidade e faz o ‘efeito panqueca’, com as placas umas sobre as outras, e cria ali uma zona onde a pessoa ficou, com alguma possibilidade de se hidratar e, porventura, até de se alimentar”.

Há, no entanto, técnicas cada vez mais avançadas: “Equipas dotadas de ultrassons, equipadas com um viobroscópios que, seja através de vídeo ou som, consegue saber se há ou não há sobreviventes”.

Sobre o caso do homem de 101 anos, encontrado com vida nos escombros, mais de uma semana depois do sismo que, até ao momento, já provocou mais de sete mil mortos, José Manuel Moura, defende que não se trata apenas de sorte ou: “Este caso de um indivíduo de mais de 100 anos é notável e, de fato, a condição humana surpreende-nos”.

O sismo atingiu sábado, 25 de abril, o Nepal e alguns países vizinhos como a Índia e a China. Os responsáveis pelas equipas de emergência indicam terem que o número de feridos já é superior a 14 mil pessoas.

In TSF

 




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Sérgio Cipriano

Sérgio Cipriano

Natural de Gouveia e licenciado em Comunicação Multimédia pelo Instituto Politécnico da Guarda. Ingressou nos bombeiros com apenas 13 anos de idade e hoje ocupa o cargo de sub-chefe. É um dos fundadores da Associação Amigos BombeirosDistritoGuarda.com e diretor de informação do portal www.bombeiros.pt, orgão reconhecido pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social.