“Pista credível” muda buscas ao avião para o Índico Sul

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NOT-aviao-com-239-passageiros-desaparece-durante-voo-entre-malasia-e-china1394247809_460_323Objetos a flutuar podem pertencer ao avião desaparecido. Meios internacionais vasculham zona a sudoeste da Austrália.

Uma nova pista abriu uma brecha de esperança para encontrar o paradeiro do voo MH370 da Malaysia Airlines. As autoridades australianas anunciaram ontem que um satélite detetou dois objetos de grande dimensão a flutuar no mar, fazendo recentrar as buscas no Índico Sul. As imagens foram registadas no domingo e, segundo investigadores citados pela Reuters, podem pertencer ao avião desaparecido no dia 8 com 239 passageiros a bordo. No entanto, após dez horas de intensa procura, as buscas aéreas foram suspensas ontem ao cair da noite, devido à falta de visibilidade e ao mau tempo que afeta a zona. O anúncio de que os possíveis destroços do voo MH370 foram detetados por satélite foi feito pelo primeiro-ministro da Austrália, Tony Abbot, no Parlamento, e confirmado mais tarde pelo responsável pela unidade de emergência australiana. Segundo John Young, um satélite assinalou dois objetos – um de 24 metros e outro de cinco – no oceano Índico, a cerca de 2500 quilómetros a sudoeste de Perth, os quais poderiam pertencer ao Boeing 777. “São objetos relativamente leves, de tamanho razoável, que se movem sobre a superfície, flutuando de forma intermitente”, revelou Young em conferência de imprensa.

O governo malaio já admitiu que esta nova pista é “credível”. No entanto, os australianos alertaram para o facto de, por as imagens terem sido registadas há seis dias, existir a possibilidade de os objetos terem sido arrastados pelas correntes marítimas e de já não estarem no mesmo local. Para a zona foram enviados aviões da Austrália, Nova Zelândia e EUA, e a estes juntou-se um navio norueguês, que respondeu ao apelo das autoridades australianas. Ontem, ao final da tarde, a Marinha australiana informou, através do Twitter, que a aeronave RAAF P3 não conseguiu localizar os destroços devido à falta de visibilidade causada por chuva e nebulosidade. As buscas serão retomadas hoje.

Familiares e amigos dos passageiros do voo MH370 preferem alimentar a esperança de que o avião tenha sido desviado para um destino em terra a comentar as notícias sobre os objetos localizados no Índico Sul. “Ouvimos as notícias de que algo pode ter sido encontrado na Austrália ou no Sul do Índico, mas se tal aconteceu para nós é uma má notícia”, disse ao ‘Daily Mail’.  Zhang Xinyu, cuja mãe de 67 anos seguia a bordo. “Todos nós desejamos que o avião tenha sido sequestrado e que esteja escondido em algum local. Mas caso se confirme que os objetos encontrados são do avião, isso significa que já não existe esperança alguma”, referiu. Um outro familiar, que aguarda notícias no Hotel Park Lido, em Pequim, frisou que “nada é definitivo”. “Espero que o meu filho volte, ele ainda está vivo”, afirma. Certo é que, caso não surjam dados concretos sobre o paradeiro do avião, o desespero das famílias  pode durar anos. Segundo o ‘Daily Mail’, o ministro malaio dos Transportes entrou já em contacto com a equipa francesa que deu apoio aos familiares das vítimas do voo da Air France que se despenhou em 2009 no oceano Atlântico. “Eles acompanharam as famílias e partilharam connosco a melhor forma para lidar com estas emoções extremas”, frisou. No início da semana, as famílias que esperaram dois anos pela recuperação da caixa negra do voo da Air France  enviaram aos familiares dos passageiros do voo MH370 uma carta de “simpatia e compaixão”.

 

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Sérgio Cipriano

Sérgio Cipriano

Natural de Gouveia e licenciado em Comunicação Multimédia pelo Instituto Politécnico da Guarda. Ingressou nos bombeiros com apenas 13 anos de idade e hoje ocupa o cargo de sub-chefe. É um dos fundadores da Associação Amigos BombeirosDistritoGuarda.com e diretor de informação do portal www.bombeiros.pt, orgão reconhecido pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social.