Angola: Protecção Civil avalia estado da Escola Grande

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Uma equipa de especialistas dos Serviços de Protecção Civil e BombeirosMapa de Angola de Angola realizou, nesta Quinta-feira, dia 7, trabalhos de análise das estruturas físicas da escola 3043, vulgo Escola Grande, um dia depois de os estudantes e professores terem vivido um clima de tensão originado por um suposto anúncio de que a mesma havia tremido.

Os quatro especialistas se depararam com fissuras em alguns dos pilares que suportam o edifício de três andares daquele estabelecimento de ensino do IIº Ciclo, localizado na comuna do Tala-hadi, no Cazenga, e os fotografaram para que constem no relatório que será submetido aos órgãos competentes para que sejam tomadas as medidas que se acharem necessárias.

Solicitados a prestarem algumas informações acerca do trabalho que estava a ser realizado, a única senhora que integrava a equipa disse que não seria possível por não serem as pessoas indicadas para o fazer, tendo em conta as regras existentes nas instituições para-militares, como é o seu caso.

O director-adjunto da referida escola, Bernardo Fernando, desmentiu as informações que foram postas a circular de que as suas estruturas balançaram, alegando que também se encontrava no seu interior quando os estudantes abandonaram as salas de aulas com este pretexto e que não sentiu nem ouviu nenhum barulho ou movimento estranho.

Por esta razão, os professores suspeitam que terá sido uma coisa premeditada pelos próprios estudantes para não fazerem a prova de história que estava marcada para aquele dia.

“A escola estava tão silenciosa que parecia que os estudantes estavam perante Deus, até que alguém criou um pânico e todos os alunos meteram-se a correr de um lado para o outro. Todos os membros da direcção da escola estavam aqui e nenhum de nós ouviu qualquer barulho e muito menos viu-a a mexer”, explicou.

Apesar de descartar todas as probabilidades até agora avançadas, a nossa fonte defende que alguma coisa de estranho aconteceu para que os discentes corressem de forma descontrolada à procura de um local que lhes inspirasse confiança, uma vez que alguns deles gritavam que o edifício estava a cair.

A forma como os estudantes abandonavam as salas de aulas, alguns acabaram por embater nos vários obstáculos que encontravam entre eles e a via de acesso ao pátio, o que provocou ferimentos.

Segundo o nosso interlocutor, os docentes e os discentes se uniram e, sem pensar duas vezes, socorreram todos aqueles que por questões de saúde se viram impossibilitados de alcançarem a porta principal da escola. Temendo pelo pior, eles disponibilizaram as suas viaturas pessoais para que as vítimas fossem transportadas para o Hospital dos Cajueiros, antes mesmo da chegada da ambulância da repartição municipal dos Serviços de Protecção Civil e Fachada principal da Escola 3043, vulgio Escola Grande.

Bernardo Fernando, director-adjunto.

Bombeiros. A nossa fonte assegurou que conseguiram, controlar a situação depois de 20 minutos com a ajuda dos estudantes e dos responsáveis da administração municipal que prontamente intervieram.

Dos cerca de mil e 50 alunos que se encontravam a fazer os exames finais, 45 foram socorridos no Hospital dos Cajueiros, no Cazenga, dos quais 15 foram reencaminhados para os Hospitais Josina Machel e Américo Boavida por se encontrarem em perigo de vida. No entanto, quase todos eles já receberam alta, com excepção de dois adolescentes que tiveram que ser submetidos à intervenção cirúrgica nesta última unidade hospitalar e já se encontram fora de perigo.

Entre os socorridos, estava uma adolescente em estado de gestação e outra que havia feito recentemente um aborto, mas foram prontamente assistidas e transferidas para a Maternidade. Ambas estão bem e o bebé da primeira não corre perigo de vida.

Para acompanhar de perto todo o processo, a direcção da escola montou uma equipa de técnicos nos hospitais onde os estudantes eram assistidos até que foram mandados para casa.

Provas garantidas

Bernardo Fernando garantiu que a direcção da escola analisará o caso dos 45 estudantes que estão impossibilitados de fazerem as provas, para que não percam o ano lectivo. Uma vez que os demais compareceram na instituição nesta Quinta-feira e realizaram os exames sem, sobressaltos.

“Hoje mesmo nós tivemos o cuidado de passar em cada sala de aula para pedir aos estudantes que tenham muita calma e responsabilidade acima de tudo, para que o que aconteceu ontem não voltasse a suceder, tendo em conta o estado de saúde em que se encontram os seus colegas que estão internados no Hospital Américo Boavida”, disse.

Questionado se a imagem degradante que o estabelecimento apresenta não constitui motivo de preocupação, Bernardo Fernando recusou falar sobre isso, alegando que só os técnicos dos Serviços de Protecção Civil é que estão em condições de fazê-lo.

Indagado se foi a primeira vez que se depararam com situações do género, disse que não estava em condições de dizer por fazer parte de uma equipa que foi encaminhada para aquela instituição no segundo semestre deste ano, no âmbito do processo de rotatividade das direcções das escolas desencadeado pela Direcção Provincial da Educação de Luanda.

“Aqui na escola apareceram apenas duas ambulâncias porque nós já os havíamos transportado nos veículos dos professores e no hospital é que tinha um número considerável que se desdobraram para levarem todos aqueles que seriam assistidos noutras unidades hospitalares”, disse.

O docente contou que alguns dos estudantes que receberam cuidados médicos no Hospital dos Cajueiros compareceram nesta quinta-feira à escola e fizeram o exame sem nenhum sobressalto. O teste que estava para ser realizado ontem, isto é, na Quarta-feira, será realizado no Sábado.

“O que temos estado a constatar a nível da cidade de Luanda é que situações do género só acontecem quando há provas finais, por isso apelamos a todos os estudantes e professores a estarem mais atentos, de modos a evitar que situações desta natureza continuem a acontecer”, alertou.

Estudantes participam nos resgates

O jovem Leonardo Simão, estudante da 12ª Classe, estava no pátio da escola a consultar as listas quando ouviu os seus colegas a correr gritando que o edifício estava a cair. Comovido com a situação, juntou-se ao grupo de indivíduos que tentava a todo o custo ajudar os estudantes que se encontravam imobilizados no interior do edifício.

“Vi alguns colegas a correrem aflitos e outros a caírem das escadas, temendo que o edifício desabasse com eles lá dentro. Por isso, não pensei duas vezes e ajudei a transportar os colegas que estavam feridos no interior do prédio”, contou o jovem que descartou qualquer possibilidade de o edifício ter tremido.

Ana Maria Zacarias Cacola, estudante da 12ª classe, disse que é a primeira vez que acompanhou de perto uma situação destas naquele estabelecimento de ensino, mas que já ouviu dos seus ex-colegas que o mesmo já havia tremido. “Se tivesse a possibilidade de escolher uma outra escola, com certeza que não estaria aqui porque esta escola não oferece segurança, tendo em conta a sua imagem exterior”, frisou.

Ela classificou de positivo o trabalho que tem sido desenvolvido pela actual direcção da escola e de negativo o trabalho desenvolvido pelos anteriores responsáveis.

Reabilitação prevista para 2014

O administrador municipal do Cazenga, Tany Narciso, disse que está prevista para 2014 uma intervenção na infra-estrutura para pintura e reparação da rede de esgotos.  “Não há qualquer ameaça nas infra-estruturas da escola e está em condições de funcionar normalmente”, conclui.

Descreveu em declarações à Angop que a situação de pânico surgiu nas salas 21 e 22, tendo sido provocada por estudantes que não pretendiam efectuar as provas e começaram a mover as carteiras de forma bruta, saindo, posteriormente, desordenadamente  para os corredores. E, as demais salas, foram contaminadas com o falso alarme de que o imóvel tremeu, criando um tumulto e situações desagradáveis.

Dos 45 alunos foram parar ao hospital, em função do incidente, três tinham fracturas nos membros inferiores e superiores. A escola 3043 “Escola Grande” está localizada na comuna do Talahadi e possui três pisos. Funciona em três períodos, com a capacidade de seis mil alunos.

Victor Nataniel Narciso adiantou que não a qualquer alteração na estrutura física da escola, nem indício de fissuras.

(Fonte: O País – online)




Sobre quem enviou a noticia

Daniel Rocha

Daniel Rocha

Nasceu na Guarda, mas foi em Famalicão da Serra que cresceu e conheceu o mundo dos bombeiros integrando o corpo activo. É Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Portugueses, e possui um Curso de Especialização em Ensino de Português como Língua Estrangeira e Língua Segunda (PLELS), ambos na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC). Para além da vida de professor, dedica-se a muitas outras actividades, entre as quais o teatro e a escrita, tendo publicado com alguma regularidade desde 2011. A sua ligação e gosto pelo mundo da imprensa levaram-no a ser colaborador da Rádio Altitude (Guarda) e do jornal Notícias de Gouveia (Gouveia).