Segurança no Trabalho: cultive esta ideia! 

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Alexandre Carvalho

Com a preparação do Encontro Nacional de Sapadores Florestais, o tema que  aqui poderia escrever podia ser esse mesmo, as aventuras de erguer um  encontro nacional, talvez para uma próxima.  

Agora é fundamental escrever sobre uma outra situação que tenho assistido um  pouco por esse país a fora, a falta de Segurança no Trabalho, a falta de uso de  Equipamentos de Proteção Individual (EPI), a remoção de proteções de  máquinas e utilizações incorretas de vários equipamentos.  

É fundamental corrigir comportamentos inapropriados que colocam a tua  segurança em risco e que te podem trazer lesões que ficam para a vida toda, e  em muitos casos podem levar-te à morte.  

No facilitismo não está o ganho, quando sofreres um dano auditivo por não  usares os auriculares – “porque me incomoda”, ou sofreres uma projeção nos  olhos – “porque não vejo nada com os óculos de proteção”, ou ainda sofreres  uma queda e bateres com a cabeça – “porque o capacete é pesado”, lembra-te  que a seguradora será a primeira a saltar fora, a tua entidade lava as mãos e tu,  tu ficarás com as lesões, com a conta do hospital e futuros tratamentos.  

Os EPI’s são para utilizar para nossa segurança individual, a nossa proteção não  pode ser deixada para segundo plano, deve ser colocada em primeiro lugar, seja  em trabalhos de silvicultura ou nos “incêndios”, lema máximo de qualquer  trabalho que façamos, Primeiro a Segurança! 

Outra das coisas que tenho visto com certa regularidade é a remoção da  proteção das máquinas, nomeadamente da roçadora. A desculpa que ouço é  que “incomoda”, ou ainda que é “mais rentável, não empanca tanto”.  

O nome é Protetor de Projeções do utensilio de corte, segundo manuais do  COTF- Centro de Operações e Técnicas Florestais, diz o seguinte:  

“Formado por uma aba plástica, fixa à cabeça angular por meio de um sistema  de fixação, que cobre o setor do disco que corresponde à direção do operador,  protegendo-o. A maior parte do material cortado é projetado para fora desse  setor de proteção, evitando que sejam projetados na direção do operador” 

Quando decidem tirar a proteção, para vós dar “maior rentabilidade” não só  levam com todas as projeções, como incorrem numa infração muito grave uma  vez que estão a violar as normas de segurança do próprio equipamento, para  não falar que em caso de acidente serão considerados culpados e mais uma vez  a conta será paga por vós.  

Podemos usar mil e uma desculpas para justificar a ausência de EPI e das  proteções das máquinas, mas no fim quando formos confrontados com um  acidente e ficarmos sozinhos sem proteção, talvez aí se faça contas à vida, se  ainda tiverem vida… 

A segurança individual e coletiva não é para brincadeiras, todos nós devemos  zelar pela nossa segurança e quando não nos forem fornecidos os EPI devemos  solicitá-los, as entidades patronais são obrigadas por lei a fornecer esse EPI, para além que devem assegurar o cumprimento das regras de segurança de  todos os trabalhadores, assim como permitir o acesso à medicina no trabalho.  

Além da nossa responsabilidade no uso do EPI adequado a cada função, que  estejamos a efetuar, não se deve esquecer que os técnicos de acompanhamento  das equipas/brigadas de sapadores florestais podem vir a ter responsabilidades  em caso de acidente, por inexistência, falta de condições de uso, ou por não ser  adequado á função que o trabalhador se encontra a executar. 

A nossa Valorização Profissional começa também ela no cumprimento das  regras e normas de segurança, no uso adequado de EPI assim como na correta  utilização dos equipamentos motomanuais. 

Só tens uma vida, protege-a! 

 

Alexandre Carvalho

About author

Daniel Rocha

Nasceu na Guarda. Para além da vida de professor, dedica-se a muitas outras actividades. A sua ligação e gosto pelo mundo da imprensa levaram-no a ser colaborador da Rádio Altitude (Guarda) e do jornal Notícias de Gouveia (Gouveia).