Quebre-se o mito

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Rama da Silva

Rama da Silva

Como se costuma dizer, não vai mal ao mundo, mas importa que as pessoas fiquem a conhecer melhor a realidade e que definitivamente não se alimentem mitos que, não só não existem, como também podem fazer crer que nadamos em dinheiro quando não é de todo verdade.

Sempre que eu ou outros colegas dos órgãos sociais ou do comando dos Bombeiros Voluntários de Cascais nos deslocamos para outras regiões e damos a conhecer de onde vimos, é recorrente dizerem-nos com inveja que somos diferentes porque até temos perto de nós a Quinta da Marinha. E, a esse propósito, vem sempre à baila gabarem-nos os apoios e donativos que, pela certa, recebemos dos seus moradores.

A questão é recorrente e assenta apenas, provavelmente, no conhecimento superficial que as pessoas terão de Cascais, do facto de ser comum ouvir dizer que há muita gente com posses a morar na Marinha e, a par, da sua proximidade do quartel dos Bombeiros de Cascais.
Haverá na Quinta da Marinha, porventura, pessoas com muitas posses, a quem só desejamos que Deus lhes acrescente, e também é verdade que ela distará do quartel dos bombeiros, em linha, pouco mais que dois mil metros. Dizer mais do que isso, nomeadamente, estabelecer alguma relação de proximidade ou cumplicidade é pura fantasia.

Abordo a questão apenas porque, sinceramente, estou farto de ouvir gabar os imaginados apoios, a potencial sensibilidade que os moradores terão, não só tendo em conta que vivem numa zona de risco, como também pelo facto de poderem colher retorno fiscal de hipotéticos apoios ou o reconhecimento social dos mesmos.

A verdade é, ao contrário, muito diferente. Ao reconhecê-la, não enunciamos qualquer crítica ou lamento. Limitamo-nos a muito pragmaticamente atestar a realidade e repor a verdade.
Ao longo dos anos não temos deixado de contar com o apoio de alguns benfeitores, uns mais conhecidos que outros, e a quem naturalmente não deixamos de manifestar o nosso reconhecimento. Curiosamente, nenhum deles é morador na Quinta da Marinha. E para ser mais preciso, dali, apenas temos contado com o generoso apoio logístico de uma unidade hoteleira do mesmo nome e de outra instalada na Estrada do Guincho.

Nas últimas duas décadas, com o empenho e esforço de todos os órgãos sociais, do comando e dos bombeiros temos conseguido manter as contas equilibradas. Para tal, tem contribuído a coesão de todos e os apoios indispensáveis, isso sim, quer da União de Freguesias de Cascais – Estoril, quer, em especial, da Câmara Municipal de Cascais. Tudo mais que se diga é fantasia. Certo é que continuamos disponíveis para socorrer todos, sem excepção, seja pelo local onde vivem, pelas posses que têm, pela cor da pele, pela confissão religiosa que professem. Para nós todos são iguais. Essa é a nossa matriz fundacional e identitária. Ninguém nos fará diferentes.

 

 




Sobre quem enviou a noticia

Sérgio Cipriano

Sérgio Cipriano

Natural de Gouveia e licenciado em Comunicação Multimédia pelo Instituto Politécnico da Guarda. Ingressou nos bombeiros com apenas 13 anos de idade e hoje ocupa o cargo de sub-chefe. É um dos fundadores da Associação Amigos BombeirosDistritoGuarda.com e diretor de informação do portal www.bombeiros.pt, orgão reconhecido pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social.