QUANDO O LEMA SE CONFUNDE COM RISCO DE VIDA DESNECESSÁRIO

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Luís Andrade

Luís Andrade

O tempo quente chegou e com ele chega também a apreensão, no que diz respeito à deflagração de novos incêndios. Todos os anos, como tem sido habitual os incêndios são os responsáveis por trocarem o tom verde que existe nas nossas serras, por outros, de tons de preto e cinzento.

Não é só um património que desaparece num instante, é também o sustento de pessoas simples, que vivendo na comunhão com a natureza, na esperança de receberem aquilo que esta lhes dá, e de repente ficam sem nada, sem a sua casa, sem o seu cultivo, sem os seus bens.

É nesta altura, que toda a atenção se centra nos bombeiros e naquilo que estes representam, ou seja a tábua de salvação, os anjos da guarda, nas horas de maior angústia e aflição.

De facto, são os bombeiros que nestas alturas surgem na linha da frente e em que nestes momentos dramáticos o lema “vida por vida” ganha vida própria, levando os mesmos bombeiros a se entregarem de corpo e alma, no combate aos incêndios, na proteção de pessoas e bens.

Algumas destas realidades também são acompanhadas pelos meios de comunicação social, o que nos pode levar a refletir e a pensar sobre a importância da vida do bombeiro e até que ponto, o lema “vida por vida” deve estar condicionado a uma prática profissional, inteligente, planeada, estruturada e racional, onde a vida do bombeiro deva ser o bem mais precioso.

Só quando se reconhecer este princípio, é que vamos assistir à redução do número de mortes de bombeiros.

Para se ser bombeiro é preciso ter mais do que força bruta e coragem de aço, é preciso de ter também consciência crítica face aos riscos e perigos, que forem aparecendo.

O bombeiro deve refletir constantemente sobre a sua prática e questionar-se sobre as suas limitações, no que diz respeito à sua missão.

Não há nenhum manual que prepare os bombeiros para a morte, por isso haja bom senso.

Entre os valores inerentes à condição humana está a vida, e a perceção deste facto conota a vida do bombeiro, como um valor único e insubstituível. O facto, é que a vida deve ser valorizada acima de tudo, e por isso nunca é demais relembrar os bombeiros sobre as consequências de determinados procedimentos que poderão ser considerados menos próprios e na qual haja risco desnecessário.

Pode-se questionar, a formação, o treino, os equipamentos, entre outras coisas, mas nunca deve-se esquecer de realçar as condutas dos bombeiros, quer sejam influenciadas, por ordens superiores, quer sejam por iniciativas individuais.

Sem confundir limitações, com o disfuncionalismo, é importante enquadrar os problemas e analisá-los de forma séria.

Assim de quem manda, há que ter a iniciativa de ouvir e valorizar aqueles que de forma voluntariosa, desinteressada e humana têm contribuído para esta nobre causa e apesar das mais variadas opiniões que daqui possam resultar, a certeza é que todas elas procurarão orientar para que se possa cumprir melhor com a missão de bombeiro, na defesa do lema vida por vida.

Luís Miguel Afonso Andrade

 




Sobre quem enviou a noticia

Sérgio Cipriano

Sérgio Cipriano

Natural de Gouveia e licenciado em Comunicação Multimédia pelo Instituto Politécnico da Guarda. Ingressou nos bombeiros com apenas 13 anos de idade e hoje ocupa o cargo de sub-chefe. É um dos fundadores da Associação Amigos BombeirosDistritoGuarda.com e diretor de informação do portal www.bombeiros.pt, orgão reconhecido pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social.