Os Incêndios, um flagelo dos nossos dias.

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Luís Andrade

Luís Andrade

À semelhança de muitos portugueses, as minhas férias foram gozadas no período de verão para poder matar saudades da minha terra.

Uma das memórias que levo destas férias são as paisagens pretas, resultado do grande incêndio que deflagrou este ano no concelho do Sabugal, distrito da Guarda.

Recordações muito diferentes às da minha infância, na qual identifico o cinzento do granito alternado com o verde/amarelado da vegetação.

São estes incêndios que vêm condicionando a qualidade dos solos, na qual de um modo geral reduzem a capacidade de retenção e de infiltração de água no solo e que por sua vez leva a um aumento do escoamento desta à superfície, conduzindo ao aparecimento de fenómenos de erosão.

Destacando a preocupação que hoje em dia damos ao aquecimento global do planeta em consequência da elevada produção de CO2, à que referir que uma das contribuições dos incêndios é o aumento do CO2, derivado da combustão, identificando-se assim um importante impacto do ponto de vista ambiental.

Outro efeito drástico provocado pelos incêndios é a destruição ou enfraquecimento da flora local, condicionando a continuidade das espécies, sendo certo que uma floresta de carvalhos levará muito mais tempo a recuperar do que uma pastagem ou mato rasteiro.

As populações de animais dependentes de determinada espécie vegetal também são afetadas quando estas deixam de existir. Contudo, há outros animais como os insetos que podem beneficiar dos efeitos do fogo, levando ao aumento de algumas pragas florestais.

Se com os incêndios se verifica um aumento temporário de nutrientes (derivados da combustão), o balanço global a médio/longo prazo é bastante negativo pela impossibilidade de restituir ao solo a totalidade dos seus nutrientes.

O facto é que os incêndios que deflagram ano a pós ano nas diversas regiões do nosso país, coloca-nos a dizer que estes já são parte integrante de um ciclo natural, contribuindo para uma brusca rotura dos diversos ciclos e cadeias, ao nível dos ecossistemas, mas com grande perigosidade pela elevada frequência que surgem atualmente.

Mas se tudo correr bem, espero no próximo ano poder voltar a ver o cinzento do granito com o verde de alguma vegetação, para esses mesmos lados.

Luís Miguel Afonso Andrade

 




Sobre quem enviou a noticia

Sérgio Cipriano

Sérgio Cipriano

Natural de Gouveia e licenciado em Comunicação Multimédia pelo Instituto Politécnico da Guarda. Ingressou nos bombeiros com apenas 13 anos de idade e hoje ocupa o cargo de sub-chefe. É um dos fundadores da Associação Amigos BombeirosDistritoGuarda.com e diretor de informação do portal www.bombeiros.pt, orgão reconhecido pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social.