O Natal é também um momento de reflexão.

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Sérgio CiprianoÉ isso mesmo, o Natal, para além dos motivos religiosos e familiares que nos une, é também um momento de reflexão.

Não querendo provocar indigestão, convidava-vos nesta quadra natalícia a fazerem uma reflexão conjunta relativamente aos bombeiros Portugueses.

Não vale a pena escondermos a realidade por mais que nos possa custar, até porque, na minha opinião pessoal, quem oculta a realidade dos factos não tem a verdadeira pretensão de mudar o que quer que seja, apenas quer gerir os problemas e zelar pelos seus interesses particulares, gozando de um suposto poder de influência.

A política, quando misturada com a vida associativa, é muitas vezes fonte de inspiração para destruir a essência que originou as associações de bombeiros, não querendo porem, entrar em pormenores de negócios obscuros de aventais, esquadros e compassos. Se Guilherme Cossoul viesse a este mundo, certamente voltava para onde está.

Não sou contra os políticos que constituem as listas das associações de bombeiros, Federações e Liga, sou é contra os políticos que usam estas instituições para auto-promoção, para se destacarem na sociedade e para angariarem votos numas próximas e hipotéticas eleições lá na terra. E deixo-vos o alerta, há mais oportunistas do que possam pensar…

Muitos, com o cinismo frenético, referem que são bombeiros desde pequeninos, tentando ludibriar os menos atentos, outros, desviam as atenções com palavras bonitas, daquelas que todos os bombeiros gostam de ouvir, alguns exemplos: “somos uma das melhores corporações do país”, “somos o CB mais bem equipado do distrito” e por vezes, sabe Deus o que lá vai dentro.

Algumas questões para digerirem com o bacalhau, as batatas e as couves:

1. Lei de financiamento dos corpos de bombeiros. Vamos ou não ter em 2016 o direito ao financiamento aprovado numa proposta de lei em Maio deste ano?

2. Há muito que se apregoa mais autonomia na estrutura dos bombeiros portugueses, porém, poucas medidas foram levadas a cabo para inverter o atual paradigma. A solução passa ou não pela criação de uma estrutura autónoma dentro da Direção Nacional de Bombeiros?

3. Incentivos ao voluntariado, onde estão, o que se vai fazer ao nível local, distrital e nacional para congregar novos voluntários e incentivar os atuais elementos? Onde é investido o dinheiro dos orçamentos das entidades responsáveis por este problema?

4. Por falar em orçamentos e incentivos à congregação de novos elementos, o que é feito da Juvebombeiro? Morreu?

5. Formação de quadros de comando. A rotatividade dos elementos nos quadros de comando é tão grande, que um dia destes a ENB irá criar um pólo de formação só para administrar estes cursos! Gasta-se dinheiro à custa de uma lei coxa que dá autonomia às direções de elegerem os comandantes, motivando esta rotatividade provocada pelas constantes mudanças de direções. Os elementos de comando devem ser eleitos pelos bombeiros, concordam?

6. Para terminar. Para quando a alteração do regime jurídico dos bombeiros portugueses que contemple os direitos das relações contratuais de trabalho dos bombeiros? É legitimo um bombeiro, em alguns casos, trabalhar mais de 60 horas semanais e que ainda assim, tenha que cumprir escalas de serviço e formação?

Julgo que vale a pena pensarmos nisto, que mais não seja para perdoar quem à custa dos bombeiros se tem governado “à grande e à francesa”, afinal de contas, é Natal.
Um Bom Natal para todos vós e que 2016 seja um ano próspero.

 




Sobre quem enviou a noticia

Sérgio Cipriano

Sérgio Cipriano

Natural de Gouveia e licenciado em Comunicação Multimédia pelo Instituto Politécnico da Guarda. Ingressou nos bombeiros com apenas 13 anos de idade e hoje ocupa o cargo de sub-chefe. É um dos fundadores da Associação Amigos BombeirosDistritoGuarda.com e diretor de informação do portal www.bombeiros.pt, orgão reconhecido pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social.