O contraste entre a crise e o esbanjamento de dinheiro…

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Sérgio CiprianoEm tempos de crise multiplicam-se as actividades lúdicas de norte a sul do país organizadas pelas associações de bombeiros, no sentido de angariar uns trocos para a compra de material operacional e equilibrar em alguns casos, as contas da associação.

É de salutar que: a realização destas actividades faz com que efetivamente haja uma aproximação dos elementos do corpo de bombeiros e a comunidade que servem, por outro lado, as associações de bombeiros ao estarem mais expostas mostram o seu lado mais decadente onde os recursos humanos são cada vez mais escassos, fruto da má política estrutural e das sucessivas mudanças que ao longo dos anos afetaram todas as associações de bombeiros.

O modelo de financiamento dos corpos de bombeiros aprovado pela portaria Nº. 76 de 2013, designado por Programa Permanente de Cooperação (PPC), veio ao encontro da necessidade de distribuir de uma forma justa o valor atribuído anualmente a cada corpo de bombeiros. Porem, no Programa Permanente de Cooperação existem critérios que vem ao encontro da extinção de corpos de bombeiros, e disso meus amigos, não tenho a menor dúvida.

Sou particularmente um defensor da qualidade dos serviços, logo, não podia estar mais de acordo com a estratégia de quem tenta saber, quais são os corpos de bombeiros que justificam a razão da sua existência. No entanto, devo confessar que, o que me assunta é suspeitar da extinção de corpos de bombeiros localizados em sede de concelho pela escassez de recursos humanos, que, como é sabido, é um dos critérios definidos na demais legislação em vigor para o financiamento e ao mesmo tempo extinção de corpos de bombeiros. Quem sabe não seja esta uma estratégia a pensar na futura agregação de concelhos!

Bom, mas para concluir este momento de reflexão, enquanto uns andam a contar os trocos e à procura de homens e mulheres para abraçarem a causa do voluntariado, outros esbanjam dinheiro na compra de veículos desvirtuados da sua realidade operacional, dado que, a mentalidade destes pseudo ricos é a de ter um parque automóvel topo de gama, pois para muitos isso ainda é sinónimo de qualidade, mas sabe Deus o que lá vai entre portas.

Quero crer que esta fase é apenas a passagem de mais um ciclo da vida destas associações, pelo menos, assim reza a história.

 

Até à próxima,

Sérgio Cipriano

 

 

About author

Sérgio Cipriano

Sérgio Cipriano

Natural de Gouveia e licenciado em Comunicação Multimédia pelo Instituto Politécnico da Guarda. Ingressou nos bombeiros com apenas 13 anos de idade e hoje ocupa o cargo de sub-chefe. É um dos fundadores da Associação Amigos BombeirosDistritoGuarda.com e diretor de informação do portal www.bombeiros.pt, orgão reconhecido pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social.

  • Quando comecei a ler o artigo,
    pensei que o meu amigo quando se referia ao esbanjamento de dinheiro em
    viaturas, se queria referir a esbanjamentos que todos conhecemos, e que são visíveis
    em certos parques de estacionamento que todos conhecemos e que também são visíveis
    quando há por aí incidentes de maior monta e onde aparecem muitos jipões
    grandes e pretos e outros grandes carrões à mistura, todos eles mais
    descaracterizados do que caracterizados.

    Afinal, enganei-me. Nunca pensei
    que o meu amigo fosse por aí. Os Bombeiros, mesmo que eventualmente possam ter
    um ou outro equipamento mais caro, se o mesmo tiver sido arranjado com o apoio
    dos seus sócios e dos seus amigos e se os Bombeiros, os verdadeiros obreiros da
    acção tiverem a formação devida para utilizarem essas tais viaturas, não vejo
    onde possa estar o mal. Até porque acho que é melhor ter um carro de socorro a
    mais, do que um carro de socorro a menos. Agora quanto aos outros, os tais
    grandes e pretos e alguns até com vidros fumados, aí já tenho sérias dúvidas
    quanto à sua verdadeira utilidade se analisarmos o rácio custo/beneficio. Mas
    isso são outras contas.

    Mas se queria mesmo falar do
    esbanjamento de dinheiro, poderia ter dado como contrapartida o facto dos
    Bombeiros todos os dias andarem a pagar para socorrer o seu semelhante enquanto
    que os outros nem sabem o preço do combustível quanto mais dos popós. Veja bem
    com quanto é que o patrão estado subsídio o litro de combustível gasto pelos
    Bombeiros em operações de socorro e quanto é que custa mesmo esse tal litro de combustível.
    Estou certo e convicto de que o meu amigo não concordará com esse ataque diário
    às contas das Associações que todos os dias financiam o estado, pelo menos
    desta forma.

    Sobre a falta de pessoal em
    alguns Corpos de Bombeiros, não nos podemos esquecer que a exemplo de todas as
    classes deste país, também muitos, imensos Bombeiros têm sido forçados a
    emigrar para conseguirem sobreviver. E olhe que esta triste realidade vai-se
    acentuando cada vez mais e começa a tocar a todos.

    Sobre os critérios do PPC – Plano
    Permanente de Cooperação, nada de confusões com esta coisa das siglas, efectivamente
    se fosse mesmo tido em conta o grau de risco da AAP e a população servida, tudo
    seria diferente, para melhor porque mais justo.

    Já a terminar, quando fala desta
    fase de passagem e o seu possível desenvolvimento, num sentido ou outro,
    continuo a pensar que muito, para não dizer tudo, está nas mãos e nas cabeças
    dos responsáveis das Associações e dos Corpos de Bombeiros, das Federações e da
    Liga e da forma como se souberem unir.

    Um abração

    Carlos Pinheiro

  • scipriano

    Caro amigo Carlos Pinheiro,

    A minha resposta ao seu comentário dava uma outra crónica, há tanto para falar sobre esbanjamento… Recorda-se do que o meu amigo me disse à uns tempos atrás num dos seus e-mail’s? Pois bem, desafio-o a escrever sobre esta matéria.
    Não me querendo justificar, mas justificando :), relativamente aos carros pretos, amarelos e até brancos, já me prenunciei sobre esse assunto em outras alturas, basta pesquisar um bocadinho. Tudo podia funcionar melhor, se a vaidade que algumas associações têm em relação ás outras fosse anulada. Os tempos são de contenção e temos de respeitar os que menos têm.

    Um grande abraço,

    Sérgio Cipriano