Evolução e complicação!

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daniel_rocha1. Ao longo dos últimos sete anos temos assistido a uma autêntica transfiguração daquilo que é o socorro em Portugal, existindo um acertar de agulhas em alguns campos e facilitando o erro noutros. Passo a explicar-me melhor. Num primeiro campo de análise centremo-nos no upload que houve na área das comunicações onde, apesar de toda a nuvem cinzenta que continua a pairar, o SIRESP veio criar uma unidade de comunicação que obrigou a uma necessidade de protocolar o seu funcionamento. Num segundo espaço de análise temos as mais recentes inovações ao nível das viaturas de combate, com a obrigação de todas possuírem o sistema de “gaiola” (desculpem os puristas esta barbaridade de análise) de defesa. E, por fim e talvez mais importante, o equipamento de protecção individual melhorou numa dimensão de oito para oitocentos, criando um sem número de problemas que quanto a mim podem criar problemas na defesa dos direitos dos bombeiros.

2. Claro que tudo isto, especialmente estas melhorias que refiro, são boas notícias para todos aqueles que vivem na esperança de nunca deste tipo de socorro especializado virem a necessitar. Mas sabe bem saber (digam lá que não?) que em caso de necessidade podemos ser bem servidos. No entanto o capital mais importante desta equação são os agentes (todos aqueles seres humanos tão iguais a cada um de nós) que medeiam as máquinas e o sinistrado. Sim, também aqui temos vindo a melhorar nos últimos sete anos e a aposta está a começar a gerar uma nova atitude colaborativa e uma maior atenção às aprendizagens que vão sendo leccionadas por esse país fora, sendo bom verificar que nós, bombeiros, soubemos responder de forma clara às críticas que referiam que nós não queríamos ter formação.

3. Por último deixem-me recuar um pouco e voltar ao início. Escrevia eu que há problemas sérios a serem trazidos para a ordem do dia com as regras de utilização dos equipamentos de protecção individual e não estava a escrever só por escrever. Aqui há dias, numa carta enviada à Liga e à qual ainda não tivemos qualquer resposta, era referida a necessidade de proteger todos os combatentes da fúria das seguradoras em caso de acidente grave. Tudo isto era dito no contexto de um concurso de ideias que o Projecto Sérgio Rocha quer lançar, em mais uma parceria com o Portal Bombeiros.pt, para conseguirmos ter todos os homens indiscutivelmente uniformizados no terreno. Sabem, é que no furor de desresponsabilização por parte das entidades superiores foram enviados, parecendo época natalina, muitas prendas para os quartéis, mas nós não as usamos porque nada daquilo é ergonómico. Problema da falta de ergonomia: caso não tragam algum dos elementos do EPI e sofram um acidente estão automaticamente em falta, não sendo protegidos como deveriam ser. Logo, não será do interesse da Liga defender os seus representados?

 

Famalicão da Serra,11 de Junho de 2013
Daniel António Neto Rocha

 




Sobre quem enviou a noticia

Sérgio Cipriano

Sérgio Cipriano

Natural de Gouveia e licenciado em Comunicação Multimédia pelo Instituto Politécnico da Guarda. Ingressou nos bombeiros com apenas 13 anos de idade e hoje ocupa o cargo de sub-chefe. É um dos fundadores da Associação Amigos BombeirosDistritoGuarda.com e diretor de informação do portal www.bombeiros.pt, orgão reconhecido pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social.