E se respeitassem os bombeiros, a GNR e a PJ?

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Gisela Oliveira

Gisela Oliveira

Estou sentada à secretária quando o António se aproxima, acabado de chegar de um incêndio, ainda com o cheiro do fumo da madeira ardida junto com o do suor, fruto de esforço de ter andado monte acima, monte abaixo a combater as chamas, e me diz com uma expressão que revela um misto de sensações: «sacana do puto… duas boas bofetadas e ainda era pouco… então não é que a GNR apanhou o gajo a uns 500 metros do sitio onde nós estávamos a atear fogo?! Depois de já ter dado cabo daquela parte toda! Filha da mãe! E sabes porquê?! Confessou ele ao guarda que ateou o fogo porque o pai é bombeiro e gostava de ver o pai a trabalhar!! O puto tem 14 anos!! Tu achas isto normal?! Sacana do miúdo!…»
Deixei-o desabafar, deitar cá para fora toda a sua indignação, raiva, revolta e depois perguntei-lhe: «O que aconteceu ao miúdo?»

«O que aconteceu?! Então a GNR levou-o, agora vai pô-lo à frente do juiz, uma vez que é menor é-lhe aplicada a medida tutelar educativa e pronto… vai-se embora!!», respondeu o António ainda com a revolta na voz. Eu não fui capaz de lhe dizer mais nada, porque tudo o que dissesse iria aumentar a sua indignação. O António tinha razão. Este ano, segundo dados oficias, a GNR e a Policia Judiciária detiveram 120 pessoas por atearem fogo. Mais 38 do que no ano passado e mais 6 do que em 2013.
A PJ prendeu 52 incendiários até ao final de setembro, mais do que no total do ano passado (43) e a GNR, segundo o Expresso, deteve mais incendiários este ano. Contas feitas, até ao final de setembro foram detidas 68 pessoas pela GNR, quando no ano passado tinham sido detidas 39.

Isto num ano em que a Lei n.º 72/2015, de 20 de julho, que entrou em vigor em setembro e que define os objetivos e prioridades da política criminal até 2017, incluiu o incêndio apenas nas prioridades da prevenção e não da investigação.
De que serve o esforço e o empenho da PJ e da GNR para deter os criminosos dos incêndios?
Que mal fizeram os bombeiros e bombeiras deste país, que iliba criminosos e ‘castiga’ aqueles que dia após dia dão a vida para salvar o que os outros destroem?
O que é preciso fazer para que o Estado, de uma vez por todas, respeite e dignifique a missão dos Bombeiros, da GNR e da PJ?

Dizem os jornais que número de presumíveis incendiários identificados este ano foi muito superior ao registado em anos anteriores: 787.
Para o Estado, para os governos, para Assembleia da República, qual o valor desta informação…?! Para pensarem… Não é preciso responder!

Gisela Oliveira

 




Sobre quem enviou a noticia

Sérgio Cipriano

Sérgio Cipriano

Natural de Gouveia e licenciado em Comunicação Multimédia pelo Instituto Politécnico da Guarda. Ingressou nos bombeiros com apenas 13 anos de idade e hoje ocupa o cargo de sub-chefe. É um dos fundadores da Associação Amigos BombeirosDistritoGuarda.com e diretor de informação do portal www.bombeiros.pt, orgão reconhecido pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social.