Dia Nacional do Bombeiro: “…o bacalhau estava salgado!”

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Sérgio Cipriano – scipriano@bombeiros.pt

Talvez a idade me permita perder o encanto das coisas ou talvez o encanto seja perdido pela falta de brio das organizações!

Assisto há mais de 18 anos aos dias nacionais do bombeiro, talvez tenha perdido um ou outro pela distância dos locais onde se realizaram.

No passado fim de semana, o distrito de Leiria recebeu as comemorações de mais um Dia Nacional do Bombeiro Português, que todos os anos se realiza numa localidade diferente e que, talvez por motivos de logística se privilegiam as capitais de distrito para a sua realização.

De há uns anos a esta parte, o Dia Nacional do Bombeiro tem perdido a chama que merece. Não é pelo facto de ter sido realizado no distrito de Leiria, mas, a verdade é que a tropa fandanga está presente em Leiria e em qualquer outro Dia Nacional do Bombeiro realizado nos últimos anos. O que sustenta este meu comentário desagradável, nada mais é do que o seguinte:

1º. Bombeiros mal ataviados: cabelo comprido, fardas multicolores, uns de botas, outros de sapatos, há para todos os gostos;

2º. Formaturas “cobra anaconda”, sem espaçamentos devidos, alinhamentos e alturas, que me fazem lembrar o meu tempo de infante e cadete;

3º. Honras e continências para inglês ver, escondem-se todos lá atrás na tribuna, aparecem só para a bajulação. No meu tempo quem chegava atrasado estando a entidade máxima já presente nem honras recebia, hoje é isto, um corredor de vaidades;

. Desfile motorizado sem qualquer organização dos veículos;

5º. O uso do Estandarte Nacional nas formaturas (apesar de ter sido entregue pelo Presidente da República em Cascais em 2017), levanta grandes dúvidas, dado que, o direito ao seu uso é feito por portaria.

Entre outros reparos, para quem diz à boca cheia que os bombeiros são a espinha dorsal do sistema de proteção civil, das duas uma, ou anda a precisar de óculos ou deve andar completamente desfasado do tempo e das exigências dos tempos atuais.

Uma boa parte dos bombeiros que vejo nestas festividades não têm a mínima preparação física, não têm uma postura disciplinada e ordeira, e depois a cereja no topo do bolo, é a água que se dá a beber durante a apresentação das forças em parada. Ó meus amigos…!

Bom, eu fiz juramento de bandeiras no exército português, numa altura em que a recruta só era de 3 meses, tive sorte, mas tive azar porque não havia cá garrafinhas de água junto aos pés para hidratar os meninos e meninas, que coitadinhos, estão com sede porque o bacalhau do almoço estava salgado.

Meus caros amigos, não tenho rigorosamente nada contra os bombeiros, sou e considero-me um de vós, mas não é assim que conseguimos passar uma imagem credível quer para a nossa sociedade, quer para quem nos quer “tramar” a cada ano que passa.

Não quero encontrar nem enumerar culpados, todos sabemos quem são, os que têm poder de voto!

 




Sobre quem enviou a noticia

Sérgio Cipriano

Sérgio Cipriano

Natural de Gouveia e licenciado em Comunicação Multimédia pelo Instituto Politécnico da Guarda. Ingressou nos bombeiros com apenas 13 anos de idade e hoje ocupa o cargo de sub-chefe. É um dos fundadores da Associação Amigos BombeirosDistritoGuarda.com e diretor de informação do portal www.bombeiros.pt, orgão reconhecido pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social.