“Aqui posto de comando do Movimento das Forças Armadas”

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scipriano11. Quero nesta minha primeira crónica de 2014 confidenciar-vos alguns assuntos que me têm intrigado e até preocupado.

O meu estado de espírito está com um pé nos bombeiros e com o outro pé na comunidade civil. O pé que está nos bombeiros, quem o move é a vontade de ajudar o próximo, são as amizades que se criaram ao longo destes 20 anos e é a força que ainda sinto poder dar a esta comunidade.

O outro pé, está na comunidade civil, longe de problemas, de intrigas, interesses pessoais e longe de riscos (cada vez maiores) de segurança.

Sinto-me cada vez mais dividido perante os acontecimentos que têm ocorrido na nossa comunidade “bombeiristica”. Sei que muitos vivem apenas a realidade interna do seu corpo de bombeiros e deixam os problemas globais para quem tem, pensa a sua maioria, competência para os resolver.

Esta total inércia, leva a que continuamente  possamos assistir a manobras de bastidores em prol do tacho e às custas de quem deu, de quem dá e de quem muito ainda tem para dar aos bombeiros de Portugal.

Queria encorajar os leitores a estarem mais atentos ao que os rodeia e de conhecerem o historial de alguns senhores que sempre, mas sempre viveram às custas do nosso suor e do nosso sacrifício.

Acho deprimente, que alguém defenda determinadas politicas só porque está à espera de ser compensado no presente ou futuro, não citarei nomes, todos sabemos quem são os que se vendem quando cheira a vento de mudança… é o tacho e só o tacho, que os move…

 

2. Nos últimos anos os bombeiros Portugueses obtiveram mais e melhor formação,  todos somos testemunhas disso. Porém, não havendo uma relação direta cientificamente comprovada, mesmo com mais e melhor formação, os bombeiros continuam a morrer em missões de socorro com uma maior incidência em incêndios florestais. No verão passado, tivemos oportunidade de assistir às mais diversas troca de acusações, basicamente cada um a defender os seus, até familiares houve quem defendesse… já diz o velho ditado, “Zangam-se as comadres, sabem-se as verdades”. Todavia, esta discussão não nos levou a lado algum tirando expor os protagonistas ao ridículo, aliás, nada de novo para quem está minimamente atento a estes palcos minimalistas.

Não quero aqui, levantar qualquer tipo de suspeitas, mas, também não quero deixar de dizer o que penso: os bombeiros em Portugal, nunca receberam tanta formação em combate a incêndios florestais como nos últimos 10 anos, nunca tiveram tanto equipamento de proteção como agora, porém, atrevia-me a dizer que nestes últimos 10 anos (entre 2004 e 2014) morreram em combate incêndios florestais mais bombeiros que na década anterior (entre 1994 e 2004), talvez esta coincidência tenha haver com as alterações climáticas, ou  então, pela falta de leitura dos inquéritos às mortes dos bombeiros, que pelos vistos, voltaram a ficar na gaveta. Mas não tenho a menor dúvida que vão ser divulgados, até porque estamos a falar de gente séria…

A formação é o pilar da segurança e da qualidade na prestação do socorro, é imprescindível apostar cada vez mais na formação se queremos estar mais seguros e prestar um melhor e mais rápido socorro. Que os responsáveis pela formação em Portugal não olhem apenas para o lado financeiro, mas sim, para a qualidade do socorro e para a segurança dos agentes de proteção civil.

“Aqui posto de comando do Movimento das Forças Armadas” e foi assim, pela voz do jornalista Joaquim Furtado, aos microfones do Rádio Clube Português, que tudo começou à 40 anos, se é que me entendem…

 

 




Sobre quem enviou a noticia

Sérgio Cipriano

Sérgio Cipriano

Natural de Gouveia e licenciado em Comunicação Multimédia pelo Instituto Politécnico da Guarda. Ingressou nos bombeiros com apenas 13 anos de idade e hoje ocupa o cargo de sub-chefe. É um dos fundadores da Associação Amigos BombeirosDistritoGuarda.com e diretor de informação do portal www.bombeiros.pt, orgão reconhecido pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social.