A última oportunidade para a ANEPC?

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Daniel Rocha

A Autoridade de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) parece estar a entrar num momento decisivo e de definição do seu próprio futuro enquanto entidade necessária e que se justifique no panorama da defesa nacional. Estamos perante a última oportunidade para a ANEPC?

Ao longo dos anos, e de forma clara em 2017, a ANEPC transformou-se num “poiso” apetecível para oportunistas (vindos da máquina socialista ou filhos de membros pertencentes à máquina socialista) que nada acrescentaram para além da sensação de vazio que pululou um pouco por todos os organismos (entre Comandos Distritais até ao próprio Comando Nacional). Dentro destes, reinou e reina ainda uma intensa perseguição aos seus funcionários (entre operadores e outros) provocada e acicatada por estes “boys” que, mais do que organizar e servir, preferiram servir-se e organizar-se através de haréns e das já mencionadas perseguições. A questão que fica é: será feita a limpeza?

Destes factos ter-se-á dado conta o agora Presidente da ANEPC durante a sua estadia enquanto Comandante Nacional. Nas centenas de deslocações que fez por todo o território, enquanto sabiamente se referia aos jogos de ténis dos seus familiares, Duarte Costa pareceu perceber os pontos fracos e os pontos fortes da “sua” equipa e começa agora, em comunhão com a Secretária de Estado, Patrícia Gaspar, a dar um ar da sua graça e parece querer “apontar a mira” para os locais certos (não se tratassem os dois que refiro a militares de carreira que vieram entretanto para o “serviço civil”).

Um dos sinais que parecem estar a ser dados para o “sistema” é o do afastamento dos pontos sensíveis da ANEPC. Anunciou-se a futura substituição do Diretor Nacional de Bombeiros (DNB) através de concurso público, algo que fica bem ao nível da “populaça” que compõe os bombeiros. Este cargo, oco e esquálido desde sempre e, admiravelmente, nunca substituído, pode ser um importante aliado para a reunião em torno do sistema por parte dos cada vez mais desavindos bombeiros. E a dupla Patrícia e Duarte já o perceberam e terão, rapidamente, interesse em fazer surgir um novo nome. Vejamos se o interesse político os acompanha!

Outro sinal de transformação (preocupação?) é o aparente afastamento da estrutura de Comando da ANEPC de elementos que sejam oriundos da Guarda Nacional Republicana (GNR). Estranhamente (ou serei eu que ainda não li nem ouvi qualquer nome associado àquela instituição) ainda não foi anunciado qualquer elemento daquela força de segurança. Isto pode indiciar duas leituras que, pasmemo-nos, podem ser surpresas desagradáveis: por um lado, a GNR não quis nenhum elemento naquela Autoridade; por outro, a ANEPC não quis/ aceitou nenhum elemento daquela força.

São estes os sinais que me levam a pensar que estamos no momento decisivo para a continuidade ou não da existência da ANEPC enquanto Autoridade com contornos civis e eminentemente assente nos corpos de bombeiros (repare-se nos currículos de vários comandantes nacionais e distritais que acentuam o ter sido comandante de corpo de bombeiros). Ou a sua reconversão numa entidade militar que passará, já todos o percebemos, pela sua entrega definitiva à GNR.

Já agora, Boas Festas!

 

Moimenta da Serra, 22 de Dezembro de 2020

Daniel António Neto Rocha

 

 

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Daniel Rocha

Daniel Rocha

Nasceu na Guarda. Para além da vida de professor, dedica-se a muitas outras actividades. A sua ligação e gosto pelo mundo da imprensa levaram-no a ser colaborador da Rádio Altitude (Guarda) e do jornal Notícias de Gouveia (Gouveia).