Última Hora: Presidente da Protecção Civil demite-se

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Foto da ANPC

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IGAI imputa a Francisco Grave Pereira violação do dever de zelo na forma como a autoridade geriu o processo de transferência dos helicópteros Kamov para nova empresa.

O presidente da Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC), o major-general Francisco Grave Pereira, demitiu-se esta segunda-feira do cargo que ocupava desde Maio de 2014, na sequência das conclusões do relatório da Inspecção-Geral da Administração Interna (IGAI) que lhe imputa a violação do dever de zelo na forma como autoridade geriu o processo de transferência dos seis helicópteros pesados Kamov para a empresa que os está a operar, a Everjets.

A IGAI concluiu que a Protecção Civil não acautelou devidamente os interesses do Estado neste processo, que ditou a paragem dos cinco aparelhos (um está acidentado desde 2012). Em Maio do ano passado, foram alegadamente detectados problemas “graves no estado das aeronaves”, que obrigaram a fazer reparações avultadas encomendadas à Everjets.

Segundo apurou o PÚBLICO, o major-general Francisco Grave Pereira apresentou esta segunda-feira a demissão à ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, numa reunião naquele ministério, tendo de seguida reunido com os dirigentes da autoridade nacional, na sua sede, em Carnaxide, para comunicar a decisão.

Contactado pelo PÚBLICO, a assessoria de imprensa do Ministério da Administração Interna (MAI) não comenta neste momento a informação.

O relatório final da IGAI chegou há algumas semanas ao MAI, sugerindo a abertura de dois processos disciplinares, um ao presidente da ANPC e outro a um ex-director nacional, que entretanto deixou a instituição. O facto de o major-general Francisco Grave Pereira ser oriundo do Exército obrigou a ministra da Administração Interna a remeter o processo para o Ministério da Defesa, a entidade com tutela disciplinar sobre o militar.

O inquérito da IGAI que esteve na origem da demissão foi instaurado em Junho do ano passado por ordem da então ministra Administração Interna, Anabela Rodrigues, na sequência de uma proposta do secretário de Estado João Almeida. Inicialmente a IGAI tinha 30 dias para entregar as conclusões das suas averiguações, mas as investigações acabaram por implicar o prolongamento do inquérito por vários meses, o qual apenas foi concluído há semanas.

(Fonte: Público)

Sobre o autor

Daniel Rocha

Daniel Rocha

Nasceu na Guarda, mas foi em Famalicão da Serra que cresceu e conheceu o mundo dos bombeiros integrando o corpo activo. É Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Portugueses, e possui um Curso de Especialização em Ensino de Português como Língua Estrangeira e Língua Segunda (PLELS), ambos na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC). Para além da vida de professor, dedica-se a muitas outras actividades, entre as quais o teatro e a escrita, tendo publicado com alguma regularidade desde 2011. A sua ligação e gosto pelo mundo da imprensa levaram-no a ser colaborador da Rádio Altitude (Guarda) e do jornal Notícias de Gouveia (Gouveia).