Pode uma bombeira amamentar fardada?

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(Foto de Tara Ruby Photography)

(Foto de Tara Ruby Photography)

Foi já no passado mês de Abril que a polémica rebentou no estado do Novo México, nos Estados Unidos da América, quando uma foto de uma mulher vestida com o equipamento de bombeiro a amamentar terá originado um processo disciplinar ao marido (bombeiro) dessa mulher.

O bombeiro alvo do processo pertence ao Departamento de Bombeiros de Las Cruces, no estado americano do Novo México.

Perante a polémica, a autora da fotografia, Tara Ruby, critica a postura do Departamento de Bombeiros e da própria cidade de Las Cruces, acusando-os de serem “opositores à amamentação”. Segundo ela, “a mensagem que queria transmitir é a de que uma mulher, uma mãe, pode trabalhar e pode amamentar o seu filho sem prejuízo para ninguém”, acrescentando que esta mulher na fotografia representa “todas as mulheres que são bombeiras e que estão a amamentar” e que, por isso, são discriminadas.

Na defesa que faz à família desta mulher, Tara Ruby adianta que nada nos regulamentos internos do Departamento de Bombeiros impede a utilização do fardamento para estes fins, tal como acontece no caso dos Bombeiros Portugueses, não percebendo por isso a existência do processo disciplinar ao bombeiro.

Este caso tem sido acompanhado com grande atenção nos Estados Unidos por representar um entrave à natalidade e ao direito dos cidadãos (homens e mulheres) a conciliar o emprego e a família. Em Portugal, onde esta conciliação é também difícil, o que aconteceria se uma bombeira amamentasse publicamente o seu filho fardada?

Fica a pergunta para um salutar debate.

 

Sobre o autor

Daniel Rocha

Daniel Rocha

Nasceu na Guarda, mas foi em Famalicão da Serra que cresceu e conheceu o mundo dos bombeiros integrando o corpo activo. É Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Portugueses, e possui um Curso de Especialização em Ensino de Português como Língua Estrangeira e Língua Segunda (PLELS), ambos na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC). Para além da vida de professor, dedica-se a muitas outras actividades, entre as quais o teatro e a escrita, tendo publicado com alguma regularidade desde 2011. A sua ligação e gosto pelo mundo da imprensa levaram-no a ser colaborador da Rádio Altitude (Guarda) e do jornal Notícias de Gouveia (Gouveia).