INEM: subsídio de emergência médica vai ajudar bombeiros a ultrapassar crise

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O presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica reconhece que o subsídio que o INEM vai pagar aos bombeiros pelos 23 Postos de Emergência Médica (PEM), que começam a funcionar segunda-feira, vai ajudar as corporações a ultrapassar dificuldades financeiras.

Estes subsídios – nunca inferiores a 6.000 euros trimestrais e que podem chegar aos 10.500 euros por trimestre – servirão para «reforçar a capacidade financeira dos bombeiros na área da emergência médica, mas também ajudarão a complementar a acção global das corporações que, nesta fase, passam por algumas dificuldades», disse Miguel Soares de Oliveira.

Em entrevista à agência Lusa, a propósito da reorganização dos meios do INEM, que entra em vigor na segunda-feira, o presidente explicou que os PEM resultam da entrega aos bombeiros de uma ambulância de emergência médica, equipada com todo o material necessário para uma abordagem de Suporte Básico de Vida (SBV), em situações de doença e de trauma, bem como de equipamento de desfibrilhação.

«O INEM transfere para a esfera dos bombeiros um importante financiamento que servirá, na maior parte dos casos, para a emergência médica pré-hospitalar, mas também como reforço da sua capacidade financeira para outras actividades», reconheceu Miguel Soares de Oliveira.

Isto porque o INEM atribui a cada um destes postos «um importante subsídio periódico», que «reforça não só a capacidade financeira para suportar esta actividade, como em muitos casos complementa a acção global dos corpos de bombeiros que, nesta fase, passam por algumas dificuldades», disse.

O pagamento é feito consoante o número de saídas por mês: 6.000 euros por trimestre para menos de 100 saídas por mês, 7.500 euros por trimestre para entre 100 a 250 saídas por mês e 10.500 por trimestre para mais de 250 saídas por mês.

Estes postos prevêem uma formação aos seus tripulantes em técnicas de emergência, de trauma e de abordagem de doentes em situação de doença súbita.

O presidente do INEM recorda que são 210 horas de formação para cada um destes tripulantes e que «várias dezenas de bombeiros passaram ou estão a passar por esta formação».

«Ficam com competências para fazer ainda melhor o seu trabalho de socorro das pessoas», sublinhou.

Entre investimento em viaturas, formação e equipamento, o INEM vai investir este ano 3,5 milhões de euros, uma verba que não resulta de nenhum orçamento extraordinário do instituto, mas antes de uma poupança de seis milhões de euros no ano passado, adiantou.

As mudanças na resposta de emergência médica do INEM não ficam por aqui, já que a partir de segunda-feira o instituto contará com mais ambulâncias e meios aéreos disponíveis.

«Vão ser alteradas ambulâncias que estavam claramente a ser ineficientes – e de algum modo desperdiçadas por outras nos mesmos locais – onde se podem tornar mais eficientes, com ganhos para o INEM, para a população e para os nossos parceiros, nomeadamente os bombeiros voluntários», disse.

Na prática, o número de ambulâncias aumentará cinco por cento (mais 21 viaturas), passando para 370, representando um «reforço importante da capacidade de intervenção mais diferenciada».

Miguel Soares de Oliveira acredita que, com este novo mapa, «mais população vai receber de forma mais precoce apoio muito diferenciado», nomeadamente em «áreas em que isso podia ser algo menos bem conseguido até agora, como Trás-os-Montes, onde iniciam três ambulâncias de Suporte Imediato de Vida (SIV), em modelo integrado nos serviços de urgência, Macedo de Cavaleiros, Mogadouro e Foz Côa.

Vão igualmente iniciar actividade duas ambulâncias de SIV na zona centro, em Águeda e Arganil.

O presidente do INEM garante que esta reorganização de meios «está articulada com a reorganização da rede de urgências».

«Há um diálogo com a tutela para haver coerência entre a nossa reorganização de meios e o que estará em cima da mesa para reorganizar a rede de serviços de urgência», garantiu.

 

Fonte: SOL por Lusa

 

 

Sobre o autor

luis.andrade

luis.andrade

É natural da Guarda e Licenciado em enfermagem, tendo obtido também uma pós-graduação em Urgência e Emergência Hospitalar e uma pós-licenciatura de Especialização em Enfermagem em Saúde Mental e Psiquiatria. Durante a frequência do curso de licenciatura em enfermagem, colaborou, como voluntário, na delegação da Guarda da Cruz Vermelha Portuguesa. Na atualidade exerce a profissão de enfermeiro no Funchal e integra a corporação dos Bombeiros Madeirenses, onde ocupa o posto de subchefe equiparado.