Incêndio em Monchique/Portimão já está dominado

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incendio-em-monchique-casais_nelson-inacio_25-1024x628O incêndio já foi considerado como dominado pela Autoridade Nacional de Proteção Civil, pelas 19h25. Ao final da tarde de hoje, o fogo ainda continua ativo em algumas zonas, mas as «perspetivas favoráveis» do CDOS Faro depressa se confirmaram, com os bombeiros a conseguirem ter o incêndio que lavra há 48 horas em Monchique e Portimão dominado antes do cair da noite.

A meio da tarde, o comandante operacional do CDOS Faro Vaz Pinto disse aos jornalistas que o incêndio já começava a dar «tréguas», mas mantinha a cautela, até porque o vento continua forte e pode «levar fagulhas incandescentes para fora do perímetro», ateando fogo noutro local.

Assim, o facto de o incêndio estar dominado não significa que haja uma desmobilização de meios. Antes pelo contrário. «Durante a noite manteremos aqui muitos meios, que vão levar a cabo ações de rescaldo e vigilância», revelou a porta-voz do CDOS ao Sul Informação. Durante quase todo o dia, parte do dispositivo esteve já a proceder a operações de rescaldo, que se antecipa «longo e demorado».

O que é já certo, é que o fogo deixou para trás um rasto de destruição. Segundo estima o comandante Vaz Pinto, o total de área ardida neste incêndio, ou seja, na sua primeira fase, no sábado e no domingo, e na segunda, após o reacendimento na quarta-feira, «deverá andar entre os 2 mil e os 2500 hectares».

Esta tarde, o presidente da Câmara de Monchique Rui André falava em 1800 hectares queimados desde dia 7 de Setembro, o que, somado aos 400 hectares que arderam na Fóia, dá cerca de 2200 hectares.

Agora, resta esperar que a noite de hoje para amanhã, ao contrário da anterior, seja mais descansada para as muitas forças no terreno, das diversas entidades que integram o dispositivo de Proteção Civil.

Entretanto, a Câmara de Portimão emitiu um comunicado em que dá conta da situação, sublinhando ser «de elementar justiça reconhecer o trabalho excecional de todos Agentes de Proteção Civil e demais entidades que concorreram para operações de combate, apoio e sustentação, destacando os Bombeiros provenientes de vários pontos do País, não esquecendo a determinante ação de coordenação de comando que mobilizou os meios necessários para este combate tão desigual».

O Município de Portimão elogia ainda «a impressionante onda de solidariedade que se registou por parte da população e dos vários agentes económicos de Portimão, sem que para tal tivesse havido qualquer apelo, quer da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Portimão, quer da própria autarquia».

A autarquia recorda que o fogo que «lavrou de forma abrupta devido ao vento forte de noroeste, afetando o concelho de Portimão, a norte do Autódromo Internacional do Algarve até às localidades de Montes de Cima, Guenos e Casas Velhas, exigiu uma ação de combate incisiva e musculada por parte dos Agentes de Proteção Civil e entidades cooperantes do Sistema Integrado de Operações de Proteção e Socorro (SIOPS)».

Com as habituais dificuldades que caraterizam a serra e barrocal algarvio, «as inúmeras habitações dispersas exigiram por parte das autoridades a priorização na salvaguarda das pessoas e do seu património, objetivos totalmente cumpridos, saindo a população das áreas afetadas ilesas e as suas habitações salvaguardadas».

«A dificuldade de acessos aos meios terrestres exigiu uma ação integrada com meios aéreos e o empenhamento de 16 máquinas de rastos que contribuíram para uma consolidação de todo o perímetro», diz ainda a Câmara de Portimão.

Neste concelho, as chamas centraram-se sobretudo nas zonas da serra, a norte da A22, afastadas do mar em cerca de 20 quilómetros.

A autarquia portimonense recorda igualmente que «não foi necessário declarar a situação de Alerta, nem ativar o Plano Municipal de Emergência de Proteção Civil, ou seja, apesar da complexa situação, sempre esteve garantida a segurança das pessoas e património, o efetivo comando e controlo das operações, bem como a necessária mobilização de meios e recursos para a sustentação das ações de resposta».

O Posto de Comando e as zonas de sustentação logística da operação foram instaladas «em espaços cedidos prontamente pelo Autódromo Internacional do Algarve, o que garantiu uma rápida operacionalização de um sistema de gestão de operações adequado à dimensão do incêndio».

Por precaução e em antecipação à evolução do incêndio, recorda a Câmara, «foram deslocadas das localidades de Atabual e Montes de Cima 10 pessoas, encaminhadas pela ação social num centro de acolhimento instalado no Autódromo, das quais quatro foram realojadas temporariamente no Centro de Apoio a Idosos e aos restantes foi prestado apoio psicossocial em articulação com o INEM, regressando às suas residências logo que reposta a normalidade».

A Câmara de Portimão termina dizendo que «nas próximas horas prosseguem as ações de consolidação e rescaldo, tarefa tão ou mais importante que o combate, por forma a evitar reativações». Para o efeito, «mantem-se no terreno todo o dispositivo, o qual será desmobilizado gradualmente».

Atualizada às 20h39, acrescentando as informações do comunicado da Câmara Municipal de Portimão.

Fonte: Sul Informação

Sobre o autor

Ana Romaneiro

Ana Romaneiro

Nasceu em Évora onde cresceu e estudou. Desde muito cedo que partilha o gosto pela informática, que, a levou a tirar um curso profissional técnico de Gestão de Sistemas Informáticos, profissão que exerce na atualidade. A sua ligação aos bombeiros surge aos 13 anos ao entrar na fanfarra dos Bombeiros de Évora, onde permaneceu até 2013. Na atualidade integra a corporação os Bombeiros de Reguengos de Monsaraz, no posto de bombeira de 2º.