“Há falta de bombeiros”

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Correio da Manhã – O que está a falhar nos bombeiros?

Fernando Curto – Há uma grande desorganização. Neste momento há um número muito reduzido de bombeiros no activo. Em Lisboa, onde deveria haver 1200 bombeiros profissionais, há apenas 700, o Porto deveria ter entre 350 e 400 e só há 200. O mesmo acontece em Coimbra e Setúbal.

–Como é que a ANBP pensa combater essa lacuna?

– Estamos a pensar pedir ao Governo um regime de excepção nas câmaras municipais para que possam admitir novos bombeiros. Devia haver uma reorganização do financiamento na área da Protecção Civil.

–Deve apostar-se mais na prevenção?

– A questão é que há uma balança desequilibrada. Aposta-se tudo no combate, mas não se aposta na prevenção. O que aconteceu no Algarve, por exemplo, foi uma má mobilização de meios materiais e humanos. Tivemos relatos de fogos que passaram de um lado para o outro com bombeiros a intervir.

– A formação é o problema?

– Talvez seja má formação. Há que profissionalizar mais, porque a formação é insuficiente. A Escola Nacional de Bombeiros não prepara a formação que se exige aos próprios bombeiros no terreno.

FONTE: CM

Sobre o autor

Sérgio Cipriano

Sérgio Cipriano

Natural de Gouveia e licenciado em Comunicação Multimédia pelo Instituto Politécnico da Guarda. Ingressou nos bombeiros com apenas 13 anos de idade e hoje ocupa o cargo de sub-chefe. É um dos fundadores da Associação Amigos BombeirosDistritoGuarda.com e diretor de informação do portal www.bombeiros.pt, orgão reconhecido pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social.

  • Gostaria de deixar aqui a seguinte reflexão:
    Será que mais bombeiros profissionais, será que mais investimento financeiro resolveriam os fogos que têm deflagrado por todo o país?
    Penso que só isso não, e por isso esta questão, não pode ser colocada de forma tão redutora e simplista.
    Pessoalmente, e como grande parte das pessoas considera que os meios têm que ser os mais adequados às necessidades, quer sejam a nível material, quer humano. Não se pode investir em recursos em que a sua actuação se resume exclusivamente a uma época do ano,… mas as respostas para estas têm de existir. Temos um dilema!!!
    Algumas estratégias que têm sido colocadas em prática parecem trazer alguns resultados positivos, outras têm apresentado algumas falhas e por isso penso que agora é tudo uma questão de avaliação e restruturação dos aspectos menos positivos. Haja humildade e seriedade.
    Um aspecto que não poderia deixar de enunciar como resposta a este dilema, é sem dúvida importante a valorização do voluntariado. Não se pode esquecer os inumeros bombeiros voluntarios que se têm esforçado no combate aos incêndios, para além razões económicas e organizativas.
    Por isso deixo aqui algumas citações que recolhi através da RTP Informação: “o Voluntariado nos bombeiros faz poupar 400 milhões por ano a nível nacional”.
    A Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP), Jaime Soares, por sua vez referiu que “o voluntariado nos bombeiros vai continuar a ser a trave mestra do socorro” (Lusa: 29/07/2012)
    André Couto, da Autoridade Nacional de Proteção Civil, concorda e sublinha que Portugal “só tem a ganhar” se a rede voluntária de bombeiros puder ser “preservada e até reforçada” (Lusa: 29/07/2012).
    Assim, nada importante neste momento de crise, do que valorizar o voluntariado, e pensar incluir em toda na estrutura de protecção cívil, estratégias de promoção para o VOLUNTARIADO.