Chuva faz crescer vegetação e aumenta risco de incêndio

0

O mês de maio foi um dos meses mais chuvosos dos últimos 85 anos, o que fez diminuir o número de fogos em Portugal

A chuva que caiu no mês de maio – e que está de volta nesta semana – fez diminuir de forma bastante acentuada o número de incêndios em relação ao ano passado, mas há o reverso da moeda: houve um crescimento da vegetação fina, o que contribui para um maior risco de incêndio nos próximos meses. Os bombeiros temem que o verão possa ser mais penoso e, por isso, apelam à limpeza das matas.

Entre 15 de maio, dia em que começou a época de incêndios, e 8 de junho registaram-se 375 fogos em Portugal, menos 1990 do que no período homólogo do ano passado. De acordo com as informações cedidas ao DN pela Autoridade Nacional de Proteção Civil, ocorreram 219 incêndios florestais, 101 agrícolas e 55 em povoamentos. Uma descida brutal em relação ao ano passado na fase Bravo, que não se pode dissociar do facto de maio ter sido um mês “extremamente chuvoso”. Segundo o Boletim Climatológico do mês, “o valor médio da quantidade de precipitação (142,9 mm) foi muito superior ao valor médio (71,2 mm), sendo o quinto mais alto desde 1931 e mesmo o mais alto dos últimos 22 anos.”

Para António Calinas, vice-presidente da Associação Portuguesa de Bombeiros Voluntários, esta quebra é positiva e “só se deve ao São Pedro.” “Quando chove não há incêndios. Não estou a ver que as pessoas tenham deixado de fazer ignições ou passado a ter mais cautela”, adiantou. No entanto, se por um lado foram positivas, as chuvas do mês de maio podem vir a ser um problema nos dias quentes. “Irrigaram os campos e fizeram crescer o combustível”, salientou. Desta forma, as faixas de contenção podem não estar tão limpas como era esperado.

Em Coimbra, por exemplo, já choveu mais neste ano do que em todo o ano passado, disse ao DN Xavier Viegas, professor catedrático da Universidade de Coimbra. “A precipitação foi muito alta, o que é consistente com o atraso no período da época de incêndios”, frisou o investigador. Isto levou a “um crescimento bastante grande da vegetação fina. Há abundância de biomassa que, se não for eliminada, poderá trazer complicações no combate aos incêndios no verão”.

Nas zonas urbanas haverá algum trabalho de limpeza, diz Xavier Viegas, mas há zonas, nomeadamente florestais, onde isso não acontece. Na opinião de Fernando Curto, presidente da Associação Nacional de Bombeiros Profissionais, “há pouco investimento na prevenção” e, como tal, “há um crescimento rápido do mato rasteiro que, no auge do calor, seca rapidamente, sendo um rastilho para grandes incêndios”. O representante defende que “devia existir uma máquina montada, através do Ministério da Agricultura e em conjunto com as autarquias, nas zonas prioritárias e de reserva”.

A vegetação herbácea pode tornar-se especialmente perigosa, se o verão for quente e seco. “Em 2014 e 2015, o verão foi bastante húmido e tivemos menos área ardida”, destaca o investigador Xavier Viegas. Segundo os dados da Pordata, em 2014 arderam 10 930 hectares, enquanto no ano passado foram consumidos mais de 62 mil. “Mas se o verão for muito quente, e com ondas de calor como em 2013, podemos ter problemas graves. Nesse ano também choveu muito na primavera”, alerta. Em 2013, ano em que morreram vários bombeiros em serviço, arderam perto de 150 mil hectares em Portugal.

As estações deixaram de ser definidas como há alguns anos, diz Fernando Curto, o que torna difícil a planificação da época. Desde 15 de maio que há 1551 meios terrestres, 6570 homens, 72 postos de vigia e seis meios aéreos disponíveis para o combate a incêndios. Mas como o número de fogo foi mais reduzido do que o expectável para esta altura, há uma diminuição das despesas. “Só temos as despesas mínimas. Não há vigilâncias, gastos com combustível, alimentação e danos”, explica António Calinas.

Apesar de a época ter começado de forma bastante positiva, há o risco de a temporada se prolongar. “É uma possibilidade. O que poupámos agora podemos gastar depois. Já tivemos meses de novembro muito acutilantes.” A fase mais crítica – Charlie – começa a 1 de julho.

Fonte: DN

Sobre o autor

Pedro Fonseca

Pedro Fonseca

É natural e residente em Gouveia, a sua vida profissional está ligada nestes últimos 16 anos à área de consultadoria em seguros. Em 2013 foi fundador da empresa LICATEL - Soluções em Telecomunicações onde é sócio/gerente. Desde tenra idade ingressou nas camadas jovens dos Bombeiros de Gouveia tendo permanecido alguns anos nos quadros, ultimamente passou pela Direcção da referida Instituição dinamizando a área de comunicação e imagem. Frequentou a licenciatura em Gestão de Marketing no IPAM de Aveiro. Passou por diversas Associações de Gouveia dando o seu contributo.