Um fogo devastador, bombeiros exaustos e falhas para apurar

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12O combate às chamas em São Pedro do Sul foi uma verdadeira batalha. Um inquérito vai agora tentar descobrir o que correu mal

Durou cerca de uma semana o incêndio em São Pedro do Sul, no distrito de Viseu. Foi dominado esta segunda-feira depois de ter devastado terreno florestal em mais de um terço do concelho, feito um ferido grave e levantado muitas questões ainda sem resposta.

Centenas de bombeiros combateram as chamas até à exaustão, muitos sem sequer parar para comer ou dormir. A falta de meios foi dramática e o Governo já abriu um inquérito para apurar o que correu mal.

Para António Costa, o número elevado e a simultaneidade dos fogos registados na semana passada podem ter levado o dispositivo “ao limite dos limites da sua capacidade de resposta”.

O inquérito é uma resposta às críticas feitas pelo presidente da Câmara de São Pedro do Sul, Vítor Figueiredo.

O autarca lamentou que tenha ardido “um terço ou um quarto” da área do seu concelho, devido ao incêndio que diz, deflagrou a partir de 8 de agosto inicialmente sem qualquer tipo de apoio.

Os primeiros meios aéreos “chegaram tarde” – apenas cinco dias depois do primeiro foco de incêndio e pouco mais de uma centena de homens das cooperações locais, a grande maioria voluntários, terão sido os primeiros a atacar as chamas.

Sobre as alegadas falhas na alimentação dos bombeiros, Vítor Figueiredo admitiu que poderão ter acontecido situações pontuais, devido ao facto de se tratar de “uma área muito grande, em que os bombeiros estavam completamente dispersos”.

Já o comandante operacional nacional da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) defendeu que a abertura do inquérito Viseu, foi uma “extraordinária decisão”, acrescentando que foi feito um excelente trabalho no combate às chamas.

Apesar das dificuldades sentidas neste incêndio e grande dimensão da área ardida apenas há um ferido a registar. A vítima, residente na localidade, continua com prognóstico reservado e em coma induzido na Unidade de Queimados do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra, após ter sofrido queimaduras em cerca de 75% do corpo.

 Cerca de 800 operacionais, apoiados por 257 meios terrestres vão manter-se no local para evitar reacendimentos.
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Sobre o autor

Sérgio Cipriano

Sérgio Cipriano

Natural de Gouveia e licenciado em Comunicação Multimédia pelo Instituto Politécnico da Guarda. Ingressou nos bombeiros com apenas 13 anos de idade e hoje ocupa o cargo de sub-chefe. É um dos fundadores da Associação Amigos BombeirosDistritoGuarda.com e diretor de informação do portal www.bombeiros.pt, orgão reconhecido pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social.