Bombeiros do Porto dizem não conhecer o Túnel do Marão

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O comandante dos Bombeiros da Lixa alertou hoje que as corporações do interior do distrito do Porto “podem ficar desorientadas” se forem chamadas a uma ocorrência no Túnel do Marão, porque desconhecem a infraestrutura.

“Estamos perplexos, porque há aqui falhas que é preciso colmatar”, avisou José Campos.

Em declarações à Lusa, frisou que o problema tem preocupado os vários corpos de bombeiros da Zona Operacional 5, nomeadamente Lixa, Felgueiras, Lousada, Baião, Santa Marinha do Zêzere e Marco de Canaveses, atendendo que, vincou, se trata de um teatro de operações complexo, ao qual não estão habituados.

“Nós não estamos habituados, nem temos grande conhecimento em intervenções deste género”, sinalizou, lembrando que o túnel tem cerca de seis quilómetros de extensão.

Vinte bombeiros, de quatro corporações, já realizaram uma formação de três dias, em Espanha, para treinarem o socorro e prepararem-se para intervir dentro do Túnel do Marão

Os efetivos da Cruz Branca, Cruz Verde, Amarante e Vila Meã terão a missão de intervir dentro do túnel.

No entanto, para o comandante da Lixa, além das corporações de Vila Real e de Amarante, também os demais corpos de bombeiros, dos dois lados da serra, que estarão numa primeira linha de intervenção, deveriam já, “pelo menos”, ter visitado a infraestrutura.

“Desconhecemos completamente o que lá existe e como intervir se formos chamados a uma ocorrência de alguma dimensão”, criticou José Campos.

Admitindo estar seriamente preocupado, acrescentou ainda acreditar que as corporações possam ser convocadas para conhecer o espaço e as condições, “para que todos estejam preparados, em caso de situação de emergência”.

Vincou, por isso, que se justifica a deslocação, para além dos comandantes, de um grupo alargado de bombeiros, nomeadamente as equipas permanentes das várias corporações, para conhecerem os equipamentos que existem no local, os percursos, as entradas e os tempos, entre outros aspetos.

José Campos, bombeiro há 38 anos, considera que a atual situação reflete, “mais uma vez”, que nem sempre os corpos de bombeiros “são respeitados pelas autoridades que concebem, constroem e monitorizam as infraestruturas deste género”.

O comandante recorda que são os bombeiros que intervêm em caso de emergência, “mas quem concebe e constrói as infraestruturas limita-se a pedir parecer das autoridades da proteção civil sobre essas matérias”.

“Estes agentes da proteção civil devem ser respeitados”, concluiu.

Fonte: Notícias ao Minuto

Sobre o autor

Ana Romaneiro

Ana Romaneiro

Nasceu em Évora onde cresceu e estudou. Desde muito cedo que partilha o gosto pela informática, que, a levou a tirar um curso profissional técnico de Gestão de Sistemas Informáticos, profissão que exerce na atualidade. A sua ligação aos bombeiros surge aos 13 anos ao entrar na fanfarra dos Bombeiros de Évora, onde permaneceu até 2013. Na atualidade integra a corporação os Bombeiros de Reguengos de Monsaraz, no posto de bombeira de 2º.