Especial Bombeiros.pt – Bombeiros de Famalicão da Serra vivem em condições extremas

0

Necessidade de utilização privada de parte das instalações cedidas aos Bombeiros há já 16 anos, leva a que a corporação esteja a trabalhar hoje em condições extremas.

17 anos. 10 anos. Poderia ser o início de uma breve história sobre a corporação de Famalicão da Serra, cheia de momentos de alegria e também de triste sina. Porém, a história desta corporação está em causa e as razões são, há anos, do conhecimento de todos os responsáveis da Protecção Civil e dos Bombeiros, tanto a nível nacional como regional ou local.

2006. Ano de avanço triste para o mais recente corpo de bombeiros do distrito da Guarda. Sérgio Rocha, bombeiro da corporação que era então Secção dos Bombeiros de Gonçalo, morreu juntamente com cinco Sapadores Chilenos que trabalhavam para a empresa AFOCELCA num incêndio que ainda hoje tem o seu início envolto em mistério. Depois desse incêndio, muitas foram as vozes a clamar por justiça no cumprimento do dever de formar e equipar melhor os bombeiros a nível nacional, começando pelo exemplo de Famalicão que apresentava, segundo relatórios de altos responsáveis por esta área, “carências” impressionantes e condições de trabalho “desumanas”. Um dos pontos mais focados, motivando uma intensa polémica regional, foram as instalações onde este Corpo de Bombeiros desenvolve e organiza a sua acção.

2016. Dez anos depois de levantada a questão das instalações, os Bombeiros de Famalicão da Serra vivem em condições piores do que as de 2006. Não ao nível do conforto, mas ao nível do espaço disponível para ter equipamentos e treinar o socorro. A necessidade de utilização privada de um salão que lhes estava cedido, levou a que o Corpo de Bombeiros tivesse de guardar todo o material nos espaços onde os homens têm nas camarata (dado que a camarata feminina funciona há anos no espaço de trabalho do Comando) e no espaço dedicado a convívio e formação. Não existindo espaço para tudo, é natural que algum desse equipamento esteja “abandonado” há meses às portas do “Quartel”.

Hoje. Com a aproximação do período crítico de C0mbate a Incêndios, os bombeiros e comando têm manifestado imensa preocupação com as condições de prontidão, havendo a hipótese de não existir sequer um espaço para os bombeiros dormirem. O Comando daquela corporação tem encetado contactos com as entidades competentes para dar conta destas condições, mas sem grandes frutos. Para já, e no interesse da população, os bombeiros de Famalicão da Serra continuam a esforçar-se para ajudarem o próximo quase sem condições.

O último episódio deste “viver no limite” aconteceu recentemente, quando os elementos da corporação que se encontravam em formação tiveram de se refugiar dentro das ambulâncias para se abrigarem do frio e da chuva. Situação esta que motivou um desabafo desgostoso por parte do Comandante da Corporação, Hugo Rocha, que tenta há meses a resolução deste problema: “Instrução interna CB Famalicão da Serra – Com temperaturas de 4 graus os Bombeiros de Famalicão da Serra efectuam a sua instrução na rua, à chuva, abrigando-se dentro dos veículos enquanto esperam por melhores condições.” Um desabafo que é seu e dos homens que comanda, partilhado também por centenas de habitantes da aldeia que conhecem a realidade do corpo de bombeiros e as condições precárias em que vivem.

Para quando a resolução deste problema e o reconhecimento do trabalho destes homens e mulheres que demonstram sempre que, apesar das condições em que são obrigados a cumprir a sua missão, a população pode contar com eles?

 

Sobre o autor

Daniel Rocha

Daniel Rocha

Nasceu na Guarda, mas foi em Famalicão da Serra que cresceu e conheceu o mundo dos bombeiros integrando o corpo activo. É Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Portugueses, e possui um Curso de Especialização em Ensino de Português como Língua Estrangeira e Língua Segunda (PLELS), ambos na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC). Para além da vida de professor, dedica-se a muitas outras actividades, entre as quais o teatro e a escrita, tendo publicado com alguma regularidade desde 2011. A sua ligação e gosto pelo mundo da imprensa levaram-no a ser colaborador da Rádio Altitude (Guarda) e do jornal Notícias de Gouveia (Gouveia).