Bombeiros da Mealhada: Posse de elementos do comando e sobriedade marcaram a festa dos 85 anos

“Não faria sentido temos uma festa de aniversário luxuosa, não faria sentido andarmos a pedir aos nossos amigos ajuda para uma festa, quando estamos em tão grandes dificuldades”, afirmou, no discurso da cerimónia dos 85 anos dos Bombeiros Voluntários da Mealhada, Abílio Semedo, presidente da direção. Dizendo esperar “que todos entendam a decisão da direção”, Abílio Semedo acrescentou: “Temos de dar o exemplo para fora!”.

A festa dos 85 anos dos Bombeiros da Mealhada foi sóbria – todos os discursos sublinharam a simplicidade – mas cheia de significado. Assinalou-se no dia de aniversário, precisamente, 26 de julho, e contou com entrega de diplomas de formação e medalhas de assiduidade – de 10 e 25 anos, esta última a José Ferreira Duarte – e, ainda, com a posse oficial e formal de Joaquim Luís Oliveira, como Segundo Comandante, e de Nuno Antunes João, como Adjunto de Comando.

João Pega, vice-presidente da assembleia-geral da associação, presidiu à sessão e abriu os discursos com “saudações especiais” e exortação à memória e à história da corporação, lembrando personalidades como João Saraiva e Bernardino Felgueiras, ou momentos marcantes como os das compras e inaugurações das primeiras viaturas.

A compra recente de um veículo tanque tático rural esteve, também, na intervenção de Abílio Semedo que lamentou o facto de não ter sido possível inaugurar neste dia essa viatura, mas que espera isso poder acontecer em meados de outubro. As dificuldades financeiras da corporação ensombram, também, esta aquisição, assim o deu a entender Abílio Semedo, mas garantiu: “Vamos pagá-lo! Vamos conseguir!”.

A intervenção do presidente da Câmara Municipal da Mealhada, Carlos Cabral, foi de elogio a uma associação “com muita idade, mas muito jovem”. “Não é dada aos bombeiros a importância e o relevo que realmente têm”, disse o autarca, que acrescentou: “As vossa fardas cheiram a fumo, não cheiram a naftalina!”, aproveitando para lembrar os bombeiros Sérgio Ferreira e Rui Nunes, falecidos há cerca de um ano.

“A Câmara da Mealhada está permanentemente ao lado dos bombeiros. Como se viu não acabámos com as EIP e temo-nos esforçado por dar o apoio e o reconhecimento aos bombeiros que o concelho sabe estarem permanentemente alerta”, disse, ainda, o presidente da Câmara, Carlos Cabral, dizendo procurar deixar palavras de ânimo e apreço.

Voluntariado não terminará, assevera Lousada
“A diminuição drástica de transporte de doentes, bem como o aparecimento de empresas a efectuar também o transporte de doentes, complicaram a situação financeira da Associação tendo inclusivé levado ao despedimento de funcionários da Associação”, começou por dizer, na sua intervenção, o comandante António Lousada. E acrescentou: “Muito sinceramente, com o rumo que tudo está a seguir não sei o que será das Associações de Bombeiros, embora tenha a convicção de que o voluntariado em termos humanos não terminará, podendo sim ter uma orientação ou um conceito diferente”.

O comandante não quis deixar de “realçar o esforço feito pela direção da Associação no sentido de poder adquirir com o recurso aos Fundos Comunitários do QREN um Veículo Tanque Táctico Rural, que era uma necessidade imperiosa para ajudar no cumprimento das várias missões, pois apesar dos fundos comunitários, a Associação vai ter que fazer um grande esforço financeiro, uma vez que parte do valor será suportado por si”.

“Uma palavra de agradecimento público aos dois elementos de comando que tomaram hoje publicamente posse: Se os escolhi para trabalharem comigo é porque entendo que têm qualidade e capacidades para desempenharem esses mesmos cargos sob o meu comando”, disse António Lousada.

“Nunca é demais referir a disponibilidade manifestada pelos elementos do Corpo Activo apesar da diminuição do efectivo. Não posso deixar de agradecer aos que continuam a dar a sua colaboração a qualquer hora do dia ou da noite, para auxiliar quem precisa, sacrificando os amigos, o descanso e principalmente os seus familiares. Temos como lema de missão que podemos não voltar… mas vamos”, terminou o comandante.

Certificados de Formação Formador de Técnicas de Salvamento e Desencarceramento Joaquim Luis Valente de Oliveira, Segundo comandante
Op. essenciais de Extinção Incêndios Urbanos e Industriais Joaquim Henrique dos Santos Oliveira, subchefe
Operações de Extinção de Incêndios Urbanos e Industriais Rui Daniel Dinis de Melo, bombeiro de 3.ª
Curso de Técnicas de Salvamento e Desencarceramento Nuno Antunes João, Adjunto de comando Telma Filipa Vitorino Almeida, bombeiro de 3.ª  José Manuel Silva Ferro, bombeiro de 3.ª Paula Cristina Vendas Alves, bombeiro de 3.ª José Manuel Santos Duarte, bombeiro de 3.ª Marisa Sofia Quintans dos Santos, bombeiro de 3.ª Sara Mariline Borges Carvalho, bombeiro de 3.ª
Medalhas de assiduidade
10 Anos Grau Prata Nuno Antunes João, Adjunto de comando Carla Daniela Silva Gaspar, bombeiro de 3.ª Bruno Miguel Jesus Ferreira, bombeiro de 3.ª José Marco Costa Silva, bombeiro de 3.ª José Manuel Ferreira Ferro, bombeiro de 3.ª Armando da Silva Branco, bombeiro de 3.ª António Batista Seixas, bombeiro de 3.ª Telma Filipa Vitorino Almeida, bombeiro de 3.ª
25 Anos Grau Ouro José Alberto Ferreira Duarte, bombeiro de 3.ª
Promoções a bombeiros de 2.ª
António Carlos Capela de Melo José Marco Costa Silva Gonçalo da Silva Jorge Sérgio Miguel Baptista Santos Saldanha Rui Daniel Dinis De Melo Ricardo Miguel da Silva Cosme Fábio Tavares Góis Daniela Sofia da Silva Bruno Miguel Jesus Ferreira

REPORTAGEM FOTOGRÁFICA COMPLETA DE FOTO REI – MEALHADA

Sobre o autor

Sérgio Cipriano

Sérgio Cipriano

Natural de Gouveia e licenciado em Comunicação Multimédia pelo Instituto Politécnico da Guarda. Ingressou nos bombeiros com apenas 13 anos de idade e hoje ocupa o cargo de sub-chefe. É um dos fundadores da Associação Amigos BombeirosDistritoGuarda.com e diretor de informação do portal www.bombeiros.pt, orgão reconhecido pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social.