Bombeiros chamados 69 vezes por dia para combater fogos

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Desde o início do ano e até 15 de Agosto, os bombeiros portugueses saíram, em média, 69 vezes por dia para combaterem incêndios florestais e outros, denominados fogachos, com uma dimensão inferior a um hectare. Desde 2005 que não se registavam tantos fogos.

Um relatório provisório do Ministério da Agricultura dá conta de que no período em apreço arderam 71.889 hectares, sendo cerca de 45 mil em matos e os restantes em povoados. Tendo em conta a análise estatística dos últimos 11 anos, este é, para já, o sétimo com maior área ardida. Para tal muito contribuiu o incêndio deflagrado a 18 de Julho no lugar de Catraia, Tavira, o qual foi responsável por quase 21 mil hectares de área florestal consumida até agora este ano.
Ontem mesmo, os partidos da maioria chumbaram os requerimentos do PS e do Bloco de Esquerda para que o ministro da Administração Interna explicasse no Parlamento o que correu mal no combate a este fogo, que já havia sido alvo de um primeiro relatório de avaliação feito pela Autoridade Nacional de Protecção Civil. As críticas a essa avaliação levaram o ministro Miguel Macedo a pedir um segundo relatório, desta vez a uma entidade independente.
Os números ontem divulgados revelam ainda que se verificaram, até meio de Agosto, 3332 incêndios florestais e 12.251 fogachos. Estes são, portanto, os que mais tempo ocuparam os bombeiros, e a maior prevalência foi verificada no distrito do Porto (91% das 3337 saídas contabilizadas). Outros distritos, como Aveiro, Braga e Vila Real, apresentam igualmente registos superiores a um milhar de ocorrências, nas quais os fogachos se sobrepõem claramente aos incêndios florestais.
Os distritos de Bragança e Guarda foram aqueles onde, até ao momento, se verificaram mais incêndios florestais do que fogachos. Para além de Faro, que por causa do incêndio de Tavira possui a maior área florestal ardida, destacam-se pela negativa os dez mil hectares consumidos pelas chamas na região de Bragança e os quase oito mil que arderam em Braga. Em Beja arderam somente 64 hectares, sendo este o distrito menos afectado em todo o país.

A seca severa que continua a atingir quase todo o território continental é um dos principais factores apontados como causa do elevado número de incêndios florestais e fogachos. Ao contrário do que seria de supor, não foi nos meses de Verão que se verificaram mais ocorrências, mas sim nos passados meses de Fevereiro e Março. Neste último acabaram por ser consumidos quase 21.500 hectares de terreno, valor que só foi suplantado em Julho, quando arderam cerca de 30.200 hectares.
De acordo com a catalogação dos bombeiros, os grandes incêndios são aqueles que acabam por consumir uma área igual ou superior a 100 hectares. Nesse aspecto, verificaram-se até agora este ano 88 dessas ocorrências. Estes sinistros foram responsáveis por 67% da área ardida, tendo afectado uma área estimada em mais de 48 mil hectares.

FONTE: PUBLICO

 

Sobre o autor

Sérgio Cipriano

Sérgio Cipriano

Natural de Gouveia e licenciado em Comunicação Multimédia pelo Instituto Politécnico da Guarda. Ingressou nos bombeiros com apenas 13 anos de idade e hoje ocupa o cargo de sub-chefe. É um dos fundadores da Associação Amigos BombeirosDistritoGuarda.com e diretor de informação do portal www.bombeiros.pt, orgão reconhecido pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social.