Alunos de São Brás desenvolvem estações meteorológicas para ajudar a prevenir incêndios | VÍDEO

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Prevenir e monitorizar fogos que possam ocorrer na Serra do Caldeirão é o objetivo da inovadora ferramenta que foi desenvolvida por alunos dos 1º e 2º anos do Curso Profissional de Técnico de Gestão e Programação de Sistemas Informáticos do agrupamento José Belchior Viegas São Brás de Alportel.

Os estudantes criaram duas estações para avaliação das condições climatéricas e grau de progressão de um incêndio, uma fixa e outra móvel. O financiamento do projeto «A Serra do Caldeirão na Nossa Mão» foi garantido através do concurso «Ciência na Escola».

Todo o trabalho foi desenvolvido pelos alunos, coordenados por docentes de informática e de físico-química, em estreita colaboração com a Proteção Civil Municipal e os Bombeiros Voluntários de S. Brás de Alportel e com a colaboração da Universidade do Algarve.

A tecnologia desenvolvida pode vir a ser um forte aliado dos agentes de proteção civil, no terreno. No caso do dispositivo móvel, está dotado de vários sensores, nomeadamente de «CO2, temperatura, pressão atmosférica, humidade, velocidade do vento».

«Todos estes sensores foram testados num aeródromo, com o objetivo de verificar a fiabilidade dos sensores a grandes altitudes (750 metros de altitude máxima de lançamento). O dispositivo móvel foi, ainda, acoplado a um drone e testou-se a capacidade de atuação do equipamento numa situação de simulação de incêndio, coordenada pelos bombeiros», segundo o Agrupamento José Belchior Viegas.

O dispositivo fixo, por seu lado, tem sensores de fumo, temperatura, pressão atmosférica, humidade, velocidade do vento, direção do vento e pluviosidade. «O dispositivo fixo foi montado num ponto estratégico do concelho, onde se verificou a acuidade da comunicação wireless entre a estação remota e a base (situada na escola secundária) e averiguou-se se a aplicação web recebia todos os dados, tendo-se confirmado que todos os sensores funcionaram convenientemente», descreve o agrupamento são-brasense.

«A capacidade de comunicação da estação com a base está testada para uma distância até 40 quilómetros, o que garante a sua funcionalidade e fiabilidade em todo o território do município de S. Brás de Alportel. Esta estação meteorológica fixa é energeticamente autónoma (alimentada a partir de dois sistemas solar e eólico) e pode ser replicada e colocada em pontos estratégicos do município, permitindo a monitorização, em tempo real, quer para prevenção de incêndios, quer para o fornecimento de dados privilegiados, em situação de combate aos incêndios», acrescentou.

Veja o vídeo do projeto:

Esta ferramenta é vista pelo comandante da corporação de Bombeiros locais como «muito útil e inovadora na prevenção e monitorização de fogos, através da recolha e envio de fatores (humidade, pluviosidade, vento, temperatura, fumo) de locais específicos do concelho de S. Brás de Alportel».

O trabalho desenvolvido teve, igualmente, «enormes vantagens pedagógicas e sociais», tendo em conta que «os alunos, através do desenvolvimento de uma atividade de empreendedorismo, tiveram contato com todas as fases de conceção de um projeto: planeamento de atividades, pesquisas na literatura científica disponível, pedido de orçamentos, cálculo de custos, pedido de patrocínios, estabelecimento de protocolos com entidades públicas e privadas e todas as dificuldades inerentes ao desenvolvimento dos projetos em si».

«A autarquia vem desde há muito a manifestar vontade de adquirir uma ou mais estações meteorológicas para instalar na zona serrana do concelho, que forneçam dados reais do concelho, de modo a não estar dependentes de dados aproximados recolhidos em Faro, mas tal ainda não tinha sido possível atendendo à dependência de fornecimento de energia e ao elevado valor do sistema. Esta estação e este dispositivo apresentam um custo muito mais baixo e permitem a recolha desses dados e a sua monitorização permanente, na sede da proteção civil municipal», acrescentaram os responsáveis pelo projeto.

Tudo o que foi feito durante o projeto:

Alunos de Agrupamento de São Brás ajudam a prevenir Fogos_3– Conceção dos dispositivos a partir de modelação 3D.

– Simulação da funcionalidade dos componentes, a partir do ambiente virtual.

– Impressão 3D e materialização dos objetos criados em 3D.

– Desenvolvimento da electrónica e da parte mecânica dos dispositivos.

– Desenvolvimento do firmware para o microcontrolador ATMEL AVR.

– Para o dispositivo móvel desenvolveu-se uma aplicação local (para PC) que comunica com um módulo de rádio (obtenção dos dados por telemetria), efetua o respetivo tratamento e procede ao envio dos dados para uma base de dados online.

– Aplicações WEB que expõem os dados já tratados, com recurso a tabelas, gráficos e animações, quer para o dispositivo móvel quer para o fixo.

– Aplicação para Android que disponibiliza os dados do dispositivo móvel para smartphone e tablet.

– O software desenvolvido implicou o contacto com várias linguagens de programação (compiladas e interpretadas), como: programação C, Java, Arduino C, Visual Basic, PHP, MySQL.

– Criação de um suporte em ferro galvanizado e inox, com recurso a soldadura MIG e dobradora de tubos.

– Pintura do suporte e afinação.

– Criação de solução energeticamente autossustentável para a estação de recolha de dados fixa, que implicou a montagem de aerogerador, painéis solares, regulador de carga híbrido, inversor e baterias.

Fonte: sulinformacao.pt

Sobre o autor

Pedro Fonseca

Pedro Fonseca

É natural e residente em Gouveia, a sua vida profissional está ligada nestes últimos 16 anos à área de consultadoria em seguros. Em 2013 foi fundador da empresa LICATEL - Soluções em Telecomunicações onde é sócio/gerente. Desde tenra idade ingressou nas camadas jovens dos Bombeiros de Gouveia tendo permanecido alguns anos nos quadros, ultimamente passou pela Direcção da referida Instituição dinamizando a área de comunicação e imagem. Frequentou a licenciatura em Gestão de Marketing no IPAM de Aveiro. Passou por diversas Associações de Gouveia dando o seu contributo.