75.229 hectares queimados num só dia

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(Foto: João Lobato)

(Foto: João Lobato)

8 de Agosto vai ficar para a História como o dia em que mais hectares arderam em Portugal. Mais de 75 mil, uma área superior ao total ardido em 2014 e 2015. Especialistas dizem que dispositivo de combate não era nem será nunca suficiente e é preciso apostar na prevenção.

O início do mês de Agosto ficou gravado para a História com imagens de um país em chamas e sem resposta para as centenas de incêndios que diariamente mobilizaram milhares de operacionais. Depois da tragédia, ficam os números que confirmam o cenário de cinzas que pinta o país e que é o pior da última década.

Segundo os dados fornecidos ao PÚBLICO pelo Sistema Europeu de Informação de Incêndios Florestais do Centro de Investigação Comum da Comissão Europeia (EFFIS-JRC/CE), o dia 8 de Agosto foi o pior em todo o território português. Em apenas 24 horas, Portugal viu desaparecer mais de 75 mil hectares levados pelas chamas dos incêndios, de Norte a Sul do país.

Os 75.229 hectares queimados num só dia ultrapassaram a soma da área ardida em 2014 e 2015, quando arderam, no ano inteiro, 8755 hectares e 49.416 hectares respectivamente. Os dois anos juntos resultam num total de 58.171 hectares de área ardida, um número ainda assim inferior à área ardida no dia 8 de Agosto deste ano. É preciso recuar seis anos para que a área ardida durante um ano inteiro seja superior aos mais de 75 mil hectares ardidos naquele dia. Só em 2010 é que a área ardida ultrapassou a barreira dos 75 mil hectares, quando no final do ano se contaram 101.893 hectares de área ardida.

Aquela segunda-feira foi, de longe, o dia com mais área ardida, mas os números da segunda semana de Agosto são impressionantes e começam no domingo, dia 7. Neste dia arderam 10.934 hectares. Por comparação imagine-se que 10 mil hectares representam a mesma área de 10 mil estádios de futebol. Ora, no dia seguinte o número seria sete vezes superior: 75 mil estádios de futebol. Os números voltam a descer no dia 9, mas ainda assim ardem 14.250 hectares. Só no dia 10 é que Portugal volta a descer a barreira dos 10 mil hectares diários de área ardida, com o desaparecimento de 6873 mil hectares de floresta e mato nesse dia.

Até ao final de Julho, o mês mais quente de que há registo em todo o mundo, Portugal encontrava-se bastante abaixo da média dos anos anteriores, que em período homólogo de 2015 já contava cerca de 23 mil hectares ardidos não havendo sinais de que o país iria ultrapassar a média dos últimos anos. O cenário inverteu-se com a chegada de Agosto em que Portugal passou a representar mais de metade da área ardida em toda a União Europeia.

Do início do ano até à primeira quinzena deste mês arderam em Portugal 118.616 hectares de floresta e áreas naturais, o pior registo nos últimos dez anos. Destes, 113.543 mil hectares arderam logo nos primeiros 15 dias de Agosto. Ou seja, só em duas semanas a área ardida representou mais de 95% do total registado durante sete meses e meio. Por comparação, olhemos para os números de 2015, ano em que até 31 de Agosto arderam cerca de 54 mil hectares. Destes, a maior fatia concentrou-se igualmente no mês de Agosto, tradicionalmente um dos mais afectados nos incêndios.

(Fonte: Público)

Sobre o autor

Daniel Rocha

Daniel Rocha

Nasceu na Guarda, mas foi em Famalicão da Serra que cresceu e conheceu o mundo dos bombeiros integrando o corpo activo. É Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Portugueses, e possui um Curso de Especialização em Ensino de Português como Língua Estrangeira e Língua Segunda (PLELS), ambos na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC). Para além da vida de professor, dedica-se a muitas outras actividades, entre as quais o teatro e a escrita, tendo publicado com alguma regularidade desde 2011. A sua ligação e gosto pelo mundo da imprensa levaram-no a ser colaborador da Rádio Altitude (Guarda) e do jornal Notícias de Gouveia (Gouveia).