BREXIT.  BREXIT NOS BOMBEIROS? PRECISA-SE? Uma opinião partilhada…

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Comandante José Alves

Fomos confrontados nos últimos tempos com uma situação inusitada na União Europeia, com a atitude tomada pelo Reino Unido, em querer sair da União, que deveria ser Europeia, mas que mais parece ser União de Parte da Europa, onde todos são diferentes e todos não são iguais.

Até parece o contrário de um slogan antigo, do preto e branco, “TODOS DIFERENTES TODOS IGUAIS”, que segundo creio tinha a ver com uma campanha antirracismo, que teve um profundo impacto na sociedade.

Numa organização onde todas as partes têm papeis definidos, responsabilidades balizadas e objetivos diferentes, mas complementares, todos têm de estar no “sistema” com a mesma atitude e não de costas voltadas, por uma qualquer razão. Por outro lado, quando estamos disponíveis para uma missão de “SERVIÇO”,  ao serviço de uma determinada organização, temos antes de mais, que perceber se os objetivos dessa organização são por nós entendidos e assimilados e naturalmente compreendidos, para depois quando iniciarmos o nosso serviço de “SERVIR” o possamos fazer de forma competente, isenta, enquadrada, conhecedores das nossas responsabilidades, mas também, dos nossos deveres e claro, os dos nossos parceiros institucionais. Só assim, todas as partes podem desenvolver de forma sustentada e equilibrada as suas responsabilidades e missões, com total respeito pelas partes envolvidas, onde todos são diferentes, mas, todos são iguais.

Será que todos e todas as partes, entendem o que é ser: “TODOS DIFERENTES, MAS TODOS IGUAIS”?

Mas deixemos a União Europeia com os seus problemas (que claro também são os nossos enquanto cidadãos europeus) e pegando da expressão agora na moda, o BREXIT, refletir se esta expressão e o seu significado europeu, tem ou não, alguma aplicabilidade na nossa organização dos Bombeiros.

Temos naturalmente muitos problemas, todos eles já do domínio do conhecimento institucional e até do público em geral, que devem merecer a nossa atenção, muitos dos quais, são velhos e não têm ainda encontrado soluções adequadas para deixarem de ser problemas.

Por outro lado, temos problemas, que poderemos dizer, porventura, mais novos, ou mais atuais, mais sensíveis e complexos, onde são referenciadas atitudes, comportamentos, sentimentos e protagonismo de posse individual, de puro protagonismo social/politico em muitos dos casos, e de autoridade ilegítima, onde segundo uma análise de factos e noticias, ressalta de forma errada e repetitiva um querer aplicar objetivos pessoais e até cooperativos estranhos à organização dos Bombeiros, com perturbação natural e institucional nas Associações Humanitárias e nos Corpos de Bombeiros, de uns quantos senhores que se disponibilizam para as organizações, não para “SERVIR”, mas para se “SERVIREM”.

Como todos os leitores podem naturalmente perceber, o retratado, também se aplica infelizmente, cada vez mais, no quotidiano da nossa organização dos Bombeiros.

Aos cidadãos que vêm “SERVIR” para os Corpos de Bombeiros, logo como bombeiros, é exigida pela Lei, um conjunto de formações, conhecimentos técnicos, conhecimentos legislativos e administrativos, entre outros, com o propósito de cada um saber o seu lugar, os seus DEVERES e OBRIGAÇÕES/RESPONSABILIDADES, os seus limites e as suas funções. Tudo está definido, delimitado pelas normas, regulamentos e Leis, onde não foi esquecido sequer os instrumentos de exigir responsabilidade criminal e disciplinar.

Com tudo isto, felizmente, na sua esmagadora maioria, os Corpos de Bombeiros de Portugal, têm sabido lidar e gerir, construindo soluções de resposta, por vezes com muitas dificuldades, mas sempre procurando dignificar o sistema, que é o mesmo que dizer dignificar a Proteção Civil e os Bombeiros, dignificando assim todos quanto servem “SERVINDO”, e não se “SERVINDO”, nos Corpos de Bombeiros, a bem da salvaguarda das pessoas e bens.

Estas atitudes e postura institucional e pessoal, são de registar e de louvar publicamente, como bons exemplos, que servem os Bombeiros.

Ora, mas nem tudo é assim, ou seja, temos os tais problemas mais modernos e mais complexos, designadamente a instabilidade na ação de equipas de Comando, em muitos Corpos de Bombeiros por este país fora, cada vez mais do que seria desejável.

Cada vez mais, vamos tendo conhecimento de notícias e até de factos, que surgem na comunicação social e nas redes sociais, e no passa-a-palavra dentro das nossas organizações dos bombeiros, que em nada dignificam os Bombeiros e as suas organizações.

Para quando um diagnóstico imparcial e isento, com consequências, para este problema que deve ser encarado por todos, como muito grave, quer do ponto de vista financeiro, (face ao investimento que o estado faz na formação de centenas de pessoas que acabam por abandonar funções e irem embora, por razões que vêm a público que não são imputadas na esmagadora maioria aos ditos elementos, mas resulta de ações com origem em algumas Direções das Associações (felizmente estes factos estão ainda restritos e bem, a uma parte e não ao todo, do universo das nossas Associações Humanitárias)), quer do ponto de vista das espectativas a médio e longo prazo (10 a 15 anos) na estabilidade do funcionamento da equipas de comando e logo nas ações dos CBs?

Será este abandono de funções um BREXIT nos Bombeiros? Ou seja e por paralelismo com o BREXIT da União Europeia, que resulta da saída de uns, por outros não saberem o que quer dizer “TODOS DIFERENTES – TODOS IGUAIS”? Será que temos que ter um BREXIT nos Bombeiros e ou entendemos que necessitamos de um nos Bombeiros?

Resulta também da leitura das noticias que de quando em quando, têm vindo a publico atitudes tomadas por partes de algumas direções, que segundo os relatos, a serem verdade, são manifestas ingerências continuadas na ação das Equipas de Comando, com completo atropelo às competências destes, muitas das vezes, por pura imposição de vontades individuais de quem quer mandar nos bombeiros, porque não consegue mandar fora destes.

Cada um fará naturalmente a sua interpretação.

Tomamos conhecimento pelas tais notícias, por exemplo de relatos do tipo:

– “A Direção, exige que o Comandante peça autorização para fazer sair viaturas do Corpo de Bombeiros, com o argumento de que quem manda é a Direção e não o Comandante ou o Comando”. Será que a ser verdade, estes senhores não sabem ler as leis e as competências de ambas as partes e se respeitarem? Quem ganha com esta perturbação?

– “A Direção não satisfaz os pedidos do Comandante, relativamente aos investimentos de materiais, EPIs e viaturas para o Corpo de Bombeiros, dizendo que não é necessário ou não é prioritário.” Será que a ser verdade, estes senhores não sabem ler as leis e as competências de ambas as partes e se respeitarem? Quem ganha com esta perturbação?

“A direção abateu viaturas detidas pelo Corpo de Bombeiros, sem conhecimento do Comandante, e estas eram necessárias para assegurar a operacionalidade, ou nalguns casos queria dar destino não operacional a uma viatura do Corpo de Bombeiros, á revelia do Comandante ou contra o seu parecer”. Será que a ser verdade, estres senhores não sabem ler as leis e as competências de ambas as partes e se respeitarem? Quem ganha com esta perturbação?

– “A Direção não aceita a proposta do Comandante, que dentro das suas competências legais, propõe um elemento para a equipa de Comando e a Direção não aceita, e em contrapartida apresenta uma solução que é, em vez de ser o elemento que o Comandante escolheu e que é da sua confiança e tem aceitação do CB, por um outro elemento que é familiar de um Diretor, só por ser familiar deste, com o argumento que socialmente este ultimo é melhor”.  Será que a ser verdade, estes senhores não sabem ler as leis e as competências de ambas as partes e se respeitarem? Quem ganha com esta perturbação?

– “A Direção diz não dar o fardamento a determinado bombeiro, que entretanto foi requisitado pelo comando do CB, com o argumento de que não gosta do bombeiro em causa, por o mesmo ter quezílias pessoais com um determinado elemento da Direção”. Será que a ser verdade, estes senhores não sabem ler as leis e as competências de ambas as partes e se respeitarem? Quem ganha com esta perturbação?

– “A Direção não dar provimento à aquisição de um determinado equipamento operacional para o CB, requisitado pelo Comando, com o argumento de que este não é necessário”. Será que a ser verdade, estes senhores não sabem ler as leis e as competências de ambas as partes e se respeitarem? Quem ganha com esta perturbação?

“Um determinado diretor surge na área operacional e quer dar ordens diretas de serviço aos bombeiros, como se fosse um elemento da cadeia de chefia e ou do comando.” Será que a ser verdade, estes senhores não sabem ler as leis e as competências de ambas as partes e se respeitarem? Quem ganha com esta perturbação?

“O Corpo de Bombeiros X, não tem Comandante há anos, tem apenas o 2º Comandante e acaba por nomear um Adjtº de Comando, quando este deve ser proposto pelo Comandante, que não existe”. Será que a ser verdade, estes senhores não sabem ler as leis e as competências de ambas as partes e se respeitarem? Quem ganha com esta perturbação?

– “A Direção negou a despesa do valor (X) (poucos euros), de uma despesa que um elemento do Comando teve que suportar numa determinada situação, com a resposta de que este não tinha previa autorização para fazer a determinada despesa.” Será que a ser verdade, estes senhores não sabem ler as leis e as competências de ambas as partes e se respeitarem? Quem ganha com esta perturbação?

Muitos, mas muitos mais argumentos e factos são relatados e vêm a publico, demonstrando para a opinião publica uma má imagem dos Bombeiros, que nada abona em prol do esforço e dedicação que os bombeiros anonimamente dão todos os dias em prol do socorro.

Onde estão os Srs. Comandantes e os restantes elementos de Comando, quando perante estas situações, fazem a parte mais fácil que é bater com a porta e abandonar os comandados, deixando-os sem orientação e sem comando, em muitas das vezes nas piores alturas operacionais?

Para quando um programa de formação para elementos dos órgãos sociais, com obrigatoriedade de a frequentarem, para saber quais as suas obrigações e limitações na ação diretiva, respeitando assim a autonomia da Direção e do Corpo de Bombeiros?

Muitos são aqueles que, sem qualquer formação para esta área, vêm para os órgãos sociais e têm uma atitude exemplar de “SERVIR” sem se “SERVIREM”, levando ao mais alto sentido de serviço público a sua forma isenta e muitas das vezes anonima de estar ao serviço dos Bombeiros.

Felizmente, temos muita gente desta, a quem tiro o “chapéu”, com o máximo respeito pelo que fazem, pela sua postura, que devem ser exemplo positivo para aqueles que o não conseguem fazer. Será que uns poucos, são força maior para manchar o bom trabalho de tantos bons exemplos? Espero sinceramente que não.

Contudo preocupa-me quando vem a público conflitos com relatos de factos negativos, onde são protagonistas diretores que até integram estruturas federadas dos bombeiros, sendo um duplo mau exemplo para todos, e até, em especial, para a própria estrutura federada que integram, que em nada abona positivamente a favor do coletivo dos órgãos a quem pertencem. Isto sim, é uma preocupação maior, pois todos esperamos mais exemplo, mais correção e mais legalidade e respeito institucional por parte de quem se disponibiliza para os órgãos representativos. Estaremos também aqui a necessitar de um BREXIT?

Para quando um processo sério de averiguações pela ANPC e pela LBP, para cada um destes casos, quando ocorrem, para apurar responsabilidades, quer disciplinares e mesmos criminais, para os autores que deram origem às situações?

Para quando responsabilizar-penalizar pelos investimentos elevados nos recursos humanos, que são do orário público, que depois são perdidos por ações ilegais e irresponsáveis de determinados protagonistas?

Para quando uma determinação legislativa, que obrigue os Comandantes no início de cada ano a apresentar á entidade detentora, um programa anual de investimento e equipamento para o CB, com o respetivo orçamento para o ano em curso, que após negociação entre o Comandante e a Direção, seja transformado em proposta orçamental a incluir no Plano e Orçamento da Associação Humanitária, que depois de aprovado em Assembleia-geral, será este orçamento (o do CB) gerido pelo Comandante, em função da disponibilidade da tesouraria da Associação?

Para quando e julgo muito URGENTE, atualizar o quadro legislativo atual, tornando este mais improvável a zonas cinzentas entre as responsabilidades – competências legais das Direções e as responsabilidades – competências legais dos Comandantes/Corpos de Bombeiros?

Não estaremos na altura de repensar o papel das entidades detentoras, face aos dias e exigências organizacionais de hoje, e repensar igualmente o papel da ANPC, no que diz respeito às dependências dos Corpos de Bombeiros, deixando para as direções apenas e só o que é verdadeiramente de cariz associativo e, deixar todo o mais, para a decisão – supervisão da ANPC e ou estrutura de Comando próprio dos Bombeiros a criar, evitando assim motivos e razões para estas situações, que a todos deve procurar e responsabilizar na procura de soluções construtivas para um desenvolvimento sustentado e tranquilo do seu funcionamento, para as organizações e seus investimentos?

Deixo aqui a todos os elementos anónimos dos órgãos sociais das diferentes associações por este país fora, que têm sabido estar à altura dos desafios e têm sido parte na procura das soluções para os problemas em total sintonia e parceria e respeito institucional e pessoal pelos Comandantes e demais elementos do comando e, claro, vice-versa. O meu respeito e admiração pelo trabalho e exemplo dado ao serviço da causa dos Bombeiros. Neste caso temos que honrar e louvar estes exemplos.

Mas não posso, claro, deixar de ficar também, mas desta vez, uma forte critica a todos os elementos anónimos dos órgãos sociais das diferentes associações por este país fora, que não têm sabido estado à altura das suas responsabilidades e funções, dando origem ao aparecimento de problemas/conflitos, que acabam por originar custos elevados, quer materiais, quer emocionais e pessoais, e de desempenho operacional, para os bombeiros, por força das suas más ações. Neste caso em concreto será necessário um BREXIT?  Cada um poderá encontrar a sua resposta.

Uma última palavra para os Srs. Comandantes, para que tenham a afirmação necessária para realizarem as suas responsabilidades e competências, para o bem do seu Corpo de Bombeiros, sendo sempre, mas sempre, elementos da solução e nunca do problema, na certeza de que ao exercerem na totalidade as suas competências e responsabilidades, sem se deixaram abater pelo desânimo, estão a prestigiar os seus Bombeiros e o seu Corpo de Bombeiros, sendo assim um contributo nuclear para a dignificação da causa dos bombeiros.

BREXIT.  BREXIT NOS BOMBEIROS? PRECISA-SE? Uma opinião partilhada…

 

Sobre o autor

Sérgio Cipriano

Sérgio Cipriano

Natural de Gouveia e licenciado em Comunicação Multimédia pelo Instituto Politécnico da Guarda. Ingressou nos bombeiros com apenas 13 anos de idade e hoje ocupa o cargo de sub-chefe. É um dos fundadores da Associação Amigos BombeirosDistritoGuarda.com e diretor de informação do portal www.bombeiros.pt, orgão reconhecido pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social.