Novo paradigma para a organização dos Bombeiros Portugueses

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Discentes da Licenciatura de Protecção Civil do ISCIA – Aveiro, desenvolveram um trabalho de comparação entre a organização militar do Exército e a estrutura correspondente dos Bombeiros.

Este trabalho, segundo os mesmos autores “surge no âmbito de um trabalho académico da Licenciatura” pelo desafio de verificar as contradições resultantes da não transposição integral da organização do Exército quando esta foi a base da organização que a ANPC adotou para o modelo organizativo dos Bombeiros Portugueses.

Por não existir uma total correspondência no que se trata em ser uma única organização integrada num comando único, “a organização dos Bombeiros apresenta, aproximadamente, 500 realidades independentes, com manifestos prejuízos financeiros, organizacionais e operacionais de todo o sistema”, refere o estudo.

O documento ao qual o portal bombeiros.pt teve acesso, refere que os alunos compararam as diferenças e contradições pretendendo apontar linhas orientadoras para a organização futura dos bombeiros portugueses, tendo por base uma transposição do modelo organizacional do Exército de forma mais completa e integrada, que permita tornar o sistema num instrumento organizacional, de comando único e integrado num corpo nacional de Bombeiros que integra hierárquica, funcional e operacionalmente todos os Corpos de Bombeiros numa estrutura completa.

O referido estudo prevê anular um conjunto alargado de fragilidades existentes, bem como dificuldades de relação entre as Associações Humanitárias de Bombeiros Voluntários (AHBV) e os Corpos de Bombeiros (CB).

Os discentes mencionam no documento que “sendo o Estado, o responsável pela Segurança das pessoas e bens, julgamos que este deveria proceder à contratualização de serviços complementares e/ou alternativos aos próprios, permitindo assim o cumprimento da responsabilidade constitucional do próprio estado.” E referem ainda que, na sua opinião, deviam ser realizados contratos com as AHBV para que estas assumissem uma nova figura jurídica, ou seja, de Entidades de Suporte Logístico (ESL) de Corpos de Bombeiros, em substituição da figura atual de Entidade Detentora. Dessa forma, o Estado teria a responsabilidade sobre o Comando, Controlo e Coordenação de todos os Corpos de Bombeiros (exceto os privados), integrados no corpo nacional de Bombeiros, com comando único e completo.

O documento pode se visto integralmente AQUI.

 

Sobre o autor

Sérgio Cipriano

Sérgio Cipriano

Natural de Gouveia e licenciado em Comunicação Multimédia pelo Instituto Politécnico da Guarda. Ingressou nos bombeiros com apenas 13 anos de idade e hoje ocupa o cargo de sub-chefe. É um dos fundadores da Associação Amigos BombeirosDistritoGuarda.com e diretor de informação do portal www.bombeiros.pt, orgão reconhecido pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social.

  • carsol

    Mesmo sem ter lido o documento na sua totalidade, mesmo assim, concordo com o mesmo nas suas linhas gerais. Mas para que tudo resultasse como proposto só falta um pormenor. O estado assumir a contratação dos serviços, mediante tabelas justas a elaborar entre as partes e pagar os serviços de acordo com essas tabelas. Acabavam os subsidio, os peditórios e a capacidade de resposta nunca seria posta em causa.

  • Mário Mariani Fialho

    Começa mal quando tratam o estandarte nacional, um dos símbolos da pátria, como a “bandeira do exército”… falta de cuidado na recolha de informação. Mas quero ler. O tema tem tudo para ser interessante.

    • carsol

      Tem toda a razão.